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ARTIGO - O 18 DE BRUMÁRIO DE JAIR BOLSONARO: FARSA E TRAGÉDIA

publicado em 06 de Janeiro / 2019 às 13:00 | Espaço do Leitor

No livro "18 de Brumário de Luís Bonaparte”, Karl Marx (repetindo Hegel) afirma que a história acontece duas vezes: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. O livro estabelece a correlação entre o golpe de Estado de Luís Bonaparte, em 1851, e o golpe de Estado de Napoleão Bonaparte, em 1799. (Sobrinho e tio, respectivamente).

Tomando por base a linha discursiva de Marx, poderíamos dizer, a princípio, que Bolsonaro é Mourão Filho (que deflagrou o golpe de 1964) Castelo Branco, Costa e Silva (e sucessores) Golbery, Brilhante Ustra e toda essa caterva de ditadores, torturadores e genocidas.
 
Mas há outro elemento que com Bolsonaro volta à tona: o discurso anticomunista. O mesmo discurso utilizado em 1937, para justificar o Estado Novo, e em 1964 para respaldar a deposição de Jango e a consequente ascensão dos militares. E sempre no mesmo diapasão: ou seja, um discurso revestido de falácias, mentiras, e toda sorte de aberrações históricas, como, por exemplo, a afirmativa de que o Brasil foi um país socialista, ou de que as escolas brasileiras estão impregnadas da teoria marxista.

Uma verborreia estúpida, ridícula e risível, própria de quem desconhece a história e seus meandros, ou de quem, aberta e deliberadamente, resolve mentir para disseminar ódio, dissenso, medo, dúvidas, incertezas e terror.

E não poderia ser de outro modo. A mentira está no DNA dos governos autoritários (ou com tendência ao autoritarismo). Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, costumava dizer que "uma mentira repetida mil vezes acaba virando verdade". E ele próprio expunha sua estratégia: “Temos que fazer o povo crer que a fome, a sede, a escassez e as enfermidades são culpa de nossos opositores e fazer com que nossos simpatizantes repitam isso a todo momento”. Trump fez da mentira seu dogma. Foi eleito pela mentira e governa pela mentira. Bolsonaro não foi, não é, e não será diferente.

Daí, a censura aos veículos de informação. Onde há censura, há mentira. Mentira e corrupção (não esqueçamos de que a maioria dos membros do atual Governo, sem falar das maracutaias envolvendo o Queiroz, está metida em corrupção. A começar do próprio Bolsonaro, que ganhou a eleição com auxílio do caixa 2, e sobre quem pesa inúmeras denúncias por ilicitudes, como o recebimento de dinheiro da JBS, a manutenção de uma funcionária fantasma em Angra dos Reis, dentre outros, conforme divulgado à exaustão por parte da mídia brasileira, muito antes do pleito eleitoral).

A exemplo do que ocorreu em 37 e em 64, o então candidato do PSL (hoje presidente) e seu staff de publicitas valeram-se da mentira mais deslavada para enganar e aterrorizar os menos esclarecidos. Na visão de Bolsonaro, o comunismo voltou a ser uma ameaça real para o Brasil (aliás, até criancinhas os comunas voltaram a comer!). Um discurso superado há décadas, que de repente volta à baila tangido por uma mente obsecada por desenterrar fantasmas e perseguir desafetos.

A guerra diplomática contra Cuba e Venezuela, incluindo o "desconvite" a estes países para a solenidade de posse do dia 1º de janeiro, se insere nesse contexto de mentira, paranoia, delírio e perseguição criado pelo atual presidente e seus acólitos de repetidores de frases prontas e rasas.

Bolsonaro e seus comparsas, incluindo o pseudo-filósofo Olavo de Carvalho (a estupidez elevada à enésima potência) continuam a mentir. E a mentir descaradamente. Ora, todo mentiroso precisa de um inimigo, de um bode expiatório, a quem direcionar sua mentira.

Neste momento, o bode expiatório é o conjunto de países com orientação solicialista, a saber, Cuba, Venezuela e Nicarágua, tido por essa gente como o eixo do mal, a materialização do comunismo mais sanguinário (sic).

Acho que estamos vivendo ao mesmo tempo a farsa e a tragédia. Creindeuspadre!
 
José Gonçalves do Nascimento

jotagoncalves_@66yahoo.com.br

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