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Artigo – AVANÇOS E... RECUOS!

publicado em 26 de Maio / 2019 às 23:00 | Espaço do Leitor

Têm sido fartos os motivos graciosamente oferecidos pelo governo para que mesmo os que nele votaram, e continuam confiantes, expressem as suas inquietações diante da insegurança de tantas frágeis decisões, ao ponto de alguns insinuarem, o que é verdade, que vem acontecendo “o recuo do recuo”, o que significa dizer que até após recuar de uma decisão, ainda há incertezas! Isso para não falar da escassa habilidade para manter o bom relacionamento político entre eles, e assim conquistar o apoio parlamentar indispensável à aprovação das reformas desejadas. Quem estiver pensando que vai ganhar apenas no GRITO, está muitíssimo enganado, principalmente nos dias atuais, onde o diálogo tem que ser esgotado até a última gota. 

Está difícil de compreender - e parece que a culpa não é só do governo -, a quantidade de picuinhas diárias que surgem nas relações do Presidente da Câmara Rodrigo Maia e o Presidente Bolsonaro. Quase sempre após um café da manhã, almoço ou jantar de reaproximação entre eles, saem distribuindo entrevistas às televisões enaltecendo que tudo agora é “paz e amor”, mas, logo depois, tudo se desfaz. Esse clima desestabiliza e retarda o debate, prejudicando o país.

É notório, também, que falta aos ocupantes do novo governo a percepção estratégica de que está oferecendo aos derrotados da última eleição, todos os ingredientes de que necessitam para uma sobrevida política, a ponto de os discursos já começarem a conter as teses da possibilidade de renúncia e impeachment! E o que é mais grave é que já circula no Congresso rumores da intenção de alguns de apresentar PEC-Projeto de Emenda Constitucional que exclua a possibilidade de o Vice-Presidente eleito pelo voto popular vir a substituir ao Presidente numa eventual vacância do cargo! Para que o cargo de Vice, então? Um absurdo inominável! 

Ora, será que entendi bem, ou o propalado GOLPE que tirou a Dilma do Poder, a esta altura passou a ser um instrumento democrático para defenestrar dos cargos o Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão? Creio que a ojeriza ao Vice seria em decorrência de sua origem militar, porque, sem qualquer dúvida, ele tem se qualificado como o único Vice-Presidente ativo e nada apático, que se movimenta em visitas internacionais de negócios para o país, a exemplo da atração de investidores chineses na última semana.

Quão bom seria se ao invés de filigranas improdutivas, os nossos políticos assumissem, quem sabe, uma postura de união em defesa de uma pauta positiva de ações voltadas ao interesse econômico e social do país e do seu povo, dando as mãos colaborativas àqueles que têm o exercício eventual do poder de executá-las! Ao mesmo tempo, como parlamentares eleitos e com a missão de agentes fiscalizadores, além de legisladores, se unissem no combate aos desvios e irregularidades com frequência cometidos, de maneira a honrar a classe política. Certamente que alguém dirá que essa concepção não passa de sonho ou breve devaneio, porque é grande o volume de vaidades, egoísmos e ânsia de poder em todas as frentes. Realidade impensável de se concretizar, concordo! Em outras palavras, seria pedir muito? Afinal, deveria ser uma obrigação desses senhores e senhoras, que todos os meses colocam as duas mãos em nossos bolsos e levam os seus altíssimos salários...

Exceto onde as democracias já estão historicamente consolidadas, nos países apenas emergentes as disputas internas pelo domínio do poder são os fatores fundamentais no processo de retardar o desenvolvimento, promover o atraso cultural e estimular os desequilíbrios sociais.

Melhor seria se todos os personagens responsáveis pelo comando deste país, do alto dos seus erros e acertos, avanços e recuos, pudessem, em um minuto de sabedoria, assimilar o sábio pensamento expresso pela poetisa chilena, Gabriela Mistral (pseudônimo), quando disse: “Dai-me Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada RECUO um ponto de partida para um novo AVANÇO”.

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador-BA.

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