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Artigo – HACKERS: QUANDO O CRIME COMPENSA

publicado em 04 de Agosto / 2019 às 23:00 | Espaço do Leitor

Está difícil de mensurar o grau de inquietação que permeia o cenário nacional nos últimos tempos, estimulada pelo afloramento de tantos fatos de diversos matizes, e que mexem com a sensibilidade de todas as tendências políticas. É visível, e até compreensível, que as partes que ora se digladiam estão a extrapolar paixões em defesa de suas posições assumidas a partir da última eleição para Presidente. É óbvio que essa é uma característica típica do sistema democrático, que tem o condão de reafirmar o preceito de que toda unanimidade é burra e que a convivência entre as pessoas deveria ter a marca indelével do respeito aos contrários.

Assim, não é nada tolerável quando se percebe a intransigência ideológica como norma de conduta, sem admitir contemporizar diante da realidade e buscar conjuntamente as soluções alternativas para um mundo de problemas que envolvem a vida brasileira. Naturalmente que essa convivência não pactua com práticas configuradas como criminosas e que não respeitam os valores básicos de integridade e ética com a coisa pública. Nesse particular, é exatamente isso que eles fazem, ao se juntarem num mesmo cocho a comerem lavagens de dinheiro e outros restos fétidos vindos da corrupção.

A propósito, tem sido surpreendente o grau de intensidade da pressão contra o ex-juiz Sérgio Moro, que teve a coragem de iniciar todo o processo de depuração do Estado brasileiro, revirando o mar de lama que aqui se instalou e no qual se tornou evidente que estava mergulhado não apenas um Partido – conceito que predominou por algum tempo -, mas quase todos eles, com raríssimas exceções. A inversão de valores tem sido tão profunda, que o Juiz temido pela sua coragem em punir o crime e os criminosos, é agora o grande vilão nacional bombardeado de todas as formas. Trocando em miúdos, a Lei é para ser desconsiderada e rasgada, e as portas das cadeias devem ser abertas para os supostos “inocentes”, alguns que nunca viram nada, não sabem, nunca souberam e nunca saberão de NADA!

Sem saída à vista para escaparem das corrupções praticadas e fugir dos processos, de repente, para muitos, pela via do crime, o HACKER se tornou o salvador da pátria e o herói nacional! Como compreender que a utilização de uma via ilegal e criminosa está sendo objeto da exaltação e aplauso geral, inclusive com a participação de um estrangeiro que, protegido pela égide da liberdade de imprensa e dos direitos assegurados pela nossa Constituição, está produzindo instabilidade institucional no país?  Uma ação criminosa que deveria ser punida pela lei, vem se transformando num possível instrumento de defesa para inúmeros personagens sob investigação ou já presos.

O que mais me surpreende é a constatação de que renomados âncoras da imprensa nacional têm defendido e valorizado a ação dos HACKERS, para o que invocam o estado de direito, como se esses princípios pudessem ser utilizados para cobrir atividades suspeitas e sem escrúpulos, e cuja exposição pública de dados ferem a individualidade das pessoas. Como é possível ser condescendente com o crime e os criminosos?

A verdade nua e crua é que a sociedade, em geral, está diante de um quadro de exposição e vulnerabilidade nunca antes imaginado por qualquer mortal. A tecnologia da informação atingiu tal estágio de aperfeiçoamento, que a privacidade das pessoas e autoridades, e a confidencialidade dos dados de Bancos e Instituições, foram jogados no lixo. O detetive particular de ontem foi transformado no Hacker de hoje, com a diferença que este desempenha uma atividade criminosa. Diga-se de passagem, da forma mais covarde e sorrateira que se possa imaginar.

Oxalá, os nossos legisladores e Juízes de Tribunais Superiores, encontrem uma urgente saída para que as leis que regem a decência e o respeito sejam restabelecidas, pelo menos como forma de inibir e punir pesadamente o novo modelo de bandidagem instalado e que já se alastra no país de todas as formas, imagináveis e inimagináveis.                                                                                

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador-BA

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