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DESASTRE ANUNCIADO

publicado em 09 de Janeiro / 2011 às 15:00 | Política

O blog recebeu artigo do Professor Doutor Engenheiro Eletricista Roberto da Costa e Silva sobre o incêndio da OI, há 18 dias, em Salvador. Ele explica que os serviços oferecidos não apresentam qualidade e a operadora não adotou as precauções necessárias que pudessem evitar o sinistro que prejudicou a comunidação em vários estados nordestinos. Confira:

Trabalhei nas duas melhores companhias de Telecomunicações do Brasil entre 1970 e 1983, Telepar e Telebahia. Participei da consolidação das mesmas e aprendi como se projeta, instala e principalmente se mantém um sistema de Telecomunicações.

Acompanhei a privatização do sistema Telebrás em 1994 e vi como a Telebahia, até então orgulho do povo da Bahia, se partiu em duas companhias: Telemar hoje Oi e Telebahia Celular hoje Vivo. Acompanhei as mudanças ocorridas na Oi. Enquanto as linhas telefônicas se tornavam acessíveis às classes menos favorecidas a qualidade do serviço oferecido caía vertiginosamente, fruto de uma política unicamente com fins lucrativos, onde os princípios da boa engenharia foram se tornando cada vez mais coisa do passado, chegando ao ponto da empresa declarar que não necessitava de engenheiros e sim de gestores.

Um convênio de 25 anos de duração com a escola Politécnica foi rompido, pois engenheiros não eram mais necessários. Assisti a demissão de seus melhores quadros e acompanhei o declínio acentuado dos serviços de manutenção substituídos por uma propagando enganosa e tirando o máximo proveito da falta de concorrência no setor de telefonia fixa na Bahia.

Hoje todas as suas estações estão em estado deplorável de conservação, sua assistência técnica está totalmente terceirizada, sua rede fixa completamente sem controle. A Oi que atende do Rio de Janeiro até Roraima, pratica preços diferenciados por seus serviços a depender da região, chegando a cobrar até quatro vezes mais pelo mesmo serviço, evidentemente oferecendo o menor preço onde existe concorrência.

A central do Itaigara onde ocorreu o sinistro abrigava alem das 25.000 linhas fixas, serviços de internet e multimídia que atendiam o interior do estado alem dos estados de Sergipe e Alagoas. Na época da Telebrás existiam alarmes de rede, comutação, radio e energia, além de uma central de tele supervisão que a tudo controlava com pessoal presente 24 horas por dia.

Parece que tudo isto ou não mais existe ou nada funcionou na ocasião do sinistro! Como isto foi possível? Onde estavam os responsáveis técnicos? Será que não mais existem? Quem, assim como eu, trabalha com Telecomunicações não consegue entender tamanho desleixo. Como concentrar tudo em um único lugar e não se precaver? A única resposta para todas estas questões é a certeza que a Oi não tem clientes e sim reféns, por isto pratica a anti-engenharia, como diz sua propaganda “simples assim”.

Um desastre era esperado, mas não na magnitude do que ocorreu, o que pelo menos tornou publico a falta de planejamento de manutenção da companhia e seu despreparo no trato de seus reféns. Espero que os processos envolvendo danos materiais, que com certeza virão, a faça retornar as origens e voltar a praticar engenharia de boa qualidade. Mais respeito com os assinantes é o que toda a Bahia espera. Desejamos voltar a ser clientes e não reféns!!!!!

Salvador Janeiro de 2011

Professor Doutor Engenheiro Eletricista Roberto da Costa e Silva

Conselheiro Federal do CONFEA e do Sindicato dos Engenheiros da Bahia

Foto: Lúcio Távora/Futura Press

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