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Instalação de Usina Nuclear com uso das águas do Rio São Francisco é discutida na Alepe, movimentos sociais se posicionam contrários

publicado em 21 de Outubro / 2019 às 12:43 | Variadas

A Comissão de Ciência e Tecnologia e Informática promoveu, na manhã desta segunda-feira 21, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), uma audiência pública para discutir a instalação de uma usina nuclear com uso das águas do Rio São Francisco. Em destaque o município de Itacuruba, no Sertão de Pernambuco.

A audiência foi conduzida pelos especialistas: professora Helen Khouri, do departamento de Energia Nuclear da UFPE; Carlos Brayner, diretor geral do Centro Regional de Energia Nuclear no Nordeste; Carlos Mariz, professor e consultor em Energia Nuclear e João Henrique de Araújo Neto, diretor de operações da Chesf.

Todavia,  o Projeto do Ministério das Minas e Energia não destaca uma possível instalação da Usina Nuclear na cidade de Poço Redondo,Sergipe. A redação deste Blog Geraldo José apurou que no "ano passado houve visitas de técnicos que avaliaram o Povoado de Bonsucesso, localizado nas margens do rio São Francisco como um potencial concorrente de Itacuruba".

Até o momento o Governo do Estado de Sergipe e a prefeitura de Poço Redondo, não se manifestaram sobre o Projeto da Instalação da Usina Nuclear. No ínicio do mês passado o  líder do Governo Bolsonaro, o senador Fernando Bezerra Coelho "defendeu a instalação da usina nuclear em Pernambuco, justificando que  é um investimento da ordem de R$ 30 bilhões."

A professora Helen Khouri destacou as aplicações da energia nuclear no dia a dia e ressaltou que a falta de informações sobre o tema pode gerar um mito que amedronta as pessoas. “As pessoas que não conhecem a radiação só sabem o que foi dito pela televisão. E o que está dito pela televisão é acidentes e bombas. Não está dito nada sobre os benefícios da radiação”, afirmou.

O prefeito da cidade de Itacuruba, Bernardo Maniçoba, que estava presente na reunião, falou sobre a importância do debate para a decisão da instalação. “A gente tem que ter uma visão não só para o lado financeiro e econômico, mas sim para o todo, para a população. Vamos escutar a população e os técnicos e decidir qual a melhor opção para a nossa região”, declarou.

Se a construção da usina for feita nos próximos 10 anos, renderia um retorno de, aproximadamente, 750 milhões de reais de ICMS para o Estado e 150 milhões de ISS para o município por ano, segundo estudo da comissão responsável pelo projeto.

O deputado Joel da Arpa (PP), que participa da comissão responsável pela instalação da usina nuclear de Itacuruba, destacou porque a reunião foi realizada. “Esse debate é importante para que chegue também na população e entender que a gente não pode deixar de ter essa oportunidade, esse grande investimento não só para Itacuruba, mas também para Pernambuco”, comentou.

Integrantes da Articulação Sertão Antinuclear, coletivo que promove ações contra a instalação de usinas nucleares nas regiões do Nordeste, também estavam na reunião. Para os integrantes, é preciso dar uma atenção maior ao impacto ambiental e social que a instalação da usina pode ter.

“O problema de uma usina nuclear é que ela vai causar uma contaminação atmosférica, no solo, na água, que pode durar séculos, mesmo não causando uma morte imediata, mas o rastro de radiação é muito grande. O rio São Francisco é a vida daquela população e a instalação vai interferir diretamente na fauna e na flora do local”, afirmou José da Cunha Júnior.

Professor aposentado de Engenharia Elétrica do Centro de Tecnologia e Geociências (CTG) da UFPE, o físico Heitor Scalmabrini discorda radicalmente da necessidade do Brasil usar energia nuclear. Ainda mais no sertão, onde há baixo volume de chuvas e mais de 300 dias de sol por ano – um prato cheio para a energia solar.

“Não vejo nada de bom em relação a uma usina nuclear. Países que foram importantes para o desenvolvimento da tecnologia já estão abandonando-a ou buscando outras formas de energia. É uma tecnologia que traz intrínseca com ela a possibilidade de acidentes que produzem efeitos devastadores. Se há vazamento do interior do reator para o meio ambiente, como ocorreu em Chernobyl, as consequências se prolongam por milhares e milhares de anos. Podemos correr esses riscos com o Rio São Francisco? Um rio que tem uma bacia de 2.700 quilometros, que corta sete estados e 506 municípios, onde moram 20 milhões de pessoas?”, questiona.

Redação Blog Foto: CPT Ilustrativa

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