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ESPAÇO DO LEITOR: A FESTA DE MARIA E AS LIÇÕES PARA A MISSÃO

publicado em 08 de Setembro / 2011 às 12:40 | Espaço do Leitor

Pe. Gilvan Régio Nunes* 

Dia 8 de setembro a Igreja celebra a festa da Natividade de Maria. Em Juazeiro, no norte baiano, celebra-se a festa de Nossa Senhora das Grotas. Este ano, a festa está dentro das comemorações do jubileu diocesano, cujo tema é “50 anos de missão a serviço da vida”. A abertura do novenário contou com a presença do Núncio Apostólico e da maioria dos Bispos do Regional Nordeste III da CNBB. Na cidade, dizia-se que cada noite estava mais bonita que a outra... Da festa de Maria, padroeira da diocese jubilanda, aprendamos algumas lições.

Na carta de convocação do jubileu, Dom José Geraldo, bispo diocesano fez uma proposta: “iniciemos em toda a diocese uma grande missão: visitar todos os lares levando a Palavra de Deus, os símbolos do nosso Jubileu e sua mensagem” A visita às casas é, pois, a tônica da missão.

Em se tratando de visita, logo no início, o Evangelho de Lucas registra a visita de Maria à sua prima Isabel (Lc 1, 39-56). Maria disponibiliza-se para servir, para ser solidária. Ela e sua prima receberam a graça da fecundidade. Além do encontro das mães, também ocorreu o encontro dos filhos, João com Jesus, o Precursor com o Salvador.

Nesses encontros é possível reconhecer o agir do Espírito divino.Isabel e João, representantes da antiga Aliança, reconhecem a ação de Deus em Maria e Jesus, representantes da nova Aliança. Da mesma forma que Maria ficou três meses com Isabel, a Arca da antiga Aliança ficara três meses na casa de Obed-Edom (2Sm 6, 11). A misericórdia de Deus na antiga Aliança realiza-se plenamente em Jesus de Nazaré.

Como reação de Maria à saudação de Isabel vem o Magnificat, pelo qual se celebra a esperança na realização da vontade de Deus que liberta e convidam-se os seguidores de Jesus para colocar-se a serviço do projeto de Deus, de modo que também em cada seguidor se realize a sua Palavra.

A visita aos lares é uma das ações evangelizadoras característica de muitos planos diocesanos e paroquiais. É necessário que se veja nisso uma oportunidade de encontro, de serviço e de solidariedade, não uma forma de cooptar os que não estão na igreja.

Ultimamente tem-se a tentação de procurar sucesso, grandes números, por um método mais requintado de atrair multidões que se afastaram da igreja. Isto não é evangelização, este não é o método de Deus, advertia-nos o então Cardeal Joseph Ratzinger, na suaIntervenção durante o Congresso dos catequistas e dos professores de religião, em Roma, no dia 10 de dezembro de 2000.

Refletindo sobre o que não é evangelização, ensina Bento XVI, “não procuramos escuta para nós, não queremos aumentar o poder e a extensão das nossas instituições, mas desejamos servir o bem das pessoas e da humanidade dando espaço Àquele que é a Vida”

A escuta para si e o falar em seu nome é sinal do Anticristo. O sinal do Filho é a sua comunhão com o Pai. Ele nos introduz na comunhão trinitária, leva-nos ao círculo do eterno amor, cujas pessoas são "relações puras". Sendo assim, concluía o Cardeal Ratzinger, “evangelizar não é simplesmente uma forma de falar, mas uma forma de viver:  viver em escuta e fazer-se voz do Pai”.

Em cinqüenta anos de diocese muitas visitas e encontros traduziram-se na missão a serviço da vida: a visita dos líderes da pastoral da criança aos seus cadastrados; o encontro dos agentes da pastoral da terra com os trabalhadores rurais nos rincões da diocese; a visita dos vicentinos aos seus assistidos; o encontro das pessoas da pastoral da mulher com as mulheres em situação de prostituição; a visita dos voluntários da pastoral carcerária aos presos; o encontro dos membros da pastoral familiar com os que vivem em situação especial, excluídos da comunhão eucarística; a visita dos líderes da pastoral da pessoa idosa aos seus beneficiados; o encontro dos agentes da pastoral dos pescadores com os que sobrevivem da pesca...

A festa de Maria nos ensina a valorizar as visitas para o serviço e para a solidariedade, dando espaço Àquele que é a Vida, e a fazer dos encontros um sinal da ação do Espírito divino em nosso meio. 

* Pe. Gilvan Régio Nunes é sacerdote da diocese de Juazeiro e pós-graduando em filosofia e direito.

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