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ESPAÇO DO LEITOR: A CIDADE CLAMA POR ÁGUA

publicado em 16 de Setembro / 2011 às 20:30 | Espaço do Leitor

Estudos mostram que a água doce será a causa principal de conflitos entre as nações. O total de água contida no planeta, não é suficiente para saciar a sede populacional. A equação do problema é fácil de entender: 97% das águas são salgadas, encontram-se nos oceanos e mares, 2,24% é doce, mas infelizmente, não está disponível e a maioria se encontra nas geleiras, áreas de difícil acesso.  Apenas 0,26% da água doce estão disponíveis. São dados preocupantes e as evidências demonstram que a próxima guerra não será pelo tão cobiçado petróleo, mas sim pelo líquido mais precioso que existe e, que é fundamental para a raça humana, como também para a fauna e a flora e todo ser vivo. Se bem que a nossa Amazônia desperta interesse do mundo todo, não só por suas riquezas naturais, mas também pelo próprio Rio Amazonas em si.

Devido a explosão demográfica no mundo inteiro, e as reservas de água doce serem insuficientes, não teremos em abundância para todos. Talvez por morarmos às margens de um belo rio, isso não nos assusta. O fato é que estamos caminhando para uma agravante situação, em relação ao consumo da água. Mesmo assim, estatisticamente, o Brasil é um país privilegiado, porém, a distribuição da água, ainda é muito desigual nas regiões.

Parece que Petrolina, cidade do sertão de Pernambuco, a terra dos impossíveis, conhecida internacionalmente pela sua constante exportação de frutas, e por sua representação política, a disputa pela água já começou. Em toda parte, da periferia ao interior do município, como também os projetos irrigados, o clamor da população diariamente é uma constante. Não existe água nas torneiras, a mesma não sobe para os reservatórios. Consequentemente, não há como tomar um banho e o mais grave ainda é não tê-la para consumir. Entretanto, a tarifa que é paga mensalmente, chega sem atrazo, mesmo sem o cidadão utilizar.

Quem são os verdadeiros culpados? Ninguém de direito assume a responsabilidade. Nesse conflito, estão envolvidos, o gestor municipal, a população e o Estado. Analisemos a situação: A culpa não está na população, a mesma é vítima, paga as contas e não recebe uma só gota em suas residências. O gestor municipal culpa a Compesa, pela má aplicabilidade dos recursos, a justificativa é que se parte da arrecadação fosse aplicado aqui, o povo não passaria por esse vexame, e aponta como solução a municipalização dos serviços da água.

Já o governo do Estado, afirma que está tendo investimento, e a solução do problema é uma questão de tempo. E nesse embate de idéias sem solução, todos sofrem, todos clamam, todos lamentam o descaso e não se resolve nada. O radialista, Edenevaldo Alves, através da audiência do seu programa de rádio, onde o ouvinte tem prioridade, tem se esforçado o máximo em prol da sociedade petrolinense. A maior parte das ligações que ele recebe, é sobre reclamações da Compesa. O mesmo através da sua equipe tem conversado com a gerência da empresa, na tentativa de dar uma resposta favorável as pessoas.

Na verdade, esse comunicador, tem cumprido seu papel social. Já houve audiência pública, a discussão chegou à câmara de vereadores, situação e oposição se divergem na questão dessa municipalização, obviamente, cada um dos lados de forma democrática, tem suas razões e questionamentos, da aceitação ou não dessa proposta, e, fica o impasse sem definição. A radialista Néia Gonçalves, tem falado nesse assunto constantemente, o talentoso Carlos Augusto, tem se solidarizado com o sofrimento do povo, principalmente, àqueles dos bairros periféricos.

O blog de Carlos Britto, um dos mais conceituados da região, tem dado atenção a essa situação, Valdinei Passos da Ponte Fm, tem abordado o tema com muita propriedade, mas parece que o caos está longe de ser resolvido. Contudo, cremos que o governador Eduardo Campos, deve está sensibilizado com essas circunstâncias desagradáveis e encontrará uma saída definitiva para esse problema da água, não só em Petrolina, mas todo o Sertão do São Francisco.

Não adianta apedrejar ninguém, e sim corrigir os erros. A parceria entre o governo do Estado, o Município e se for o caso a União, é muito mais importante, pois, as necessidades vitais das pessoas estão acima das questões políticas. Afinal de contas, a nossa cidade também faz parte de Pernambuco. Está tão próximo do Rio São Francisco, e não ter água para o consumo, é o fim do mundo e no mínimo um absurdo!

Antonio Damião Oliveira da Silva - Professor de Matemática e Guarda Municipal de Petrolina

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