"Reforma da previdência pode contribuir com aumento da violência", alerta deputado

16 de Mar / 2017 às 15h30 | Variadas

A Reforma Previdência, proposta pelo governo Michel Temer (PMDB) e que tramita na Câmara Federal sob o título de PEC 287, se aprovada pode aumentar o índice de violência na sociedade brasileira na medida em que agravará a exclusão e desigualdade social no Brasil. A avaliação é do deputado Marcelino Galo (PT) que participou nesta quarta-feira (15) das manifestações contra a Reforma da Previdência no Campo Grande, em Salvador.

"Não tenho dúvidas de que essa reforma da previdência, como está colocada, além de penalizar a classe trabalhadora - ainda mais as mulheres, o homem do campo e os pescadores - contribuirá para o aumento da cultura da violência na sociedade, já que a desigualdade e a exclusão socioeconômica devem aumentar significativamente se ela for aprovada", avaliou Galo, que na terça-feira presidirá uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos sobre os impactos da reforma da previdência nos trabalhadores da segurança pública.

Para o parlamentar, a situação deve se agravar ainda mais nas cidades do interior, especialmente as do semiárido que convive com a seca. "Veja que nas pequenas cidades do interior a aposentadoria do agricultor e da agricultora tem um papel preponderante no aquecimento da economia local, na manuntenção da família e geração de emprego e postos de trabalho. Se para se aposentar eles tiverem que se enquadrar nessa regra, pode ter certeza que não vão conseguir o benefício, pelo simples fato de que quem trabalha no campo, na inchada, com o uso da força física e sob os impactos da mudança climática, com a seca, por exemplo, não tendo uma renda certa por mês, enfrentará dificuldades enormes para ter acesso ao beneficio. Sem contar que é desumano você querer que um homem ou mulher que trabalha sob sol a pino, com uma exigência muito grande de sua força física, consiga trabalhar até os 65 anos nessas condições. É uma proposta de quem não conhece as realidades do Brasil, não conhece a dinâmica do trabalho e tem compromisso apenas com quem financiou o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma", enfatizou Galo, antes de pontuar.  "É preciso inverter a lógica, e cobrar dos mais ricos. É necessário, por exemplo, a taxação das grandes fortunas, dos agrotóxicos, rever essa lógica de pagamento da taxa de juros da divida pública, combater a sonegação fiscal. É importante a sociedade se mobilizar para isso, porque a conta desse ajuste não pode ser colocado no colo da classe trabalhadora".  

Ascom

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