Blog do Geraldo José - Espaço do Leitor
Vale do São Francisco - 23 de Janeiro de 2019
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Espaço do Leitor

publicado em 25 de Julho / 2011 às 16:40

LEITOR FAZ QUESTIONAMENTO SOBRE CONCURSO PARA PROCURADOR EM PETROLINA

Geraldo José,

Curioso com o concurso para procurador que vai ser realizado em Petrolina-Pe, neste ultimo final de semana acessei o site do município para analisar o edital, e fiquei estarrecido com a data fixada para realização das provas objetivas.

Segundo o edital, as inscrições terminam no dia 18/08/2011, data final para o pagamento das taxas, e, 10 dias após (28/08/2011), as provas serão realizadas pela Facape.

Preceitua os princípios da razoabilidade e proporcionalidade que todo ato administrativo, não vinculado, deverá ser proporcional e razoável, para ser considerado legitimo e legal.

Vicente Paulo, em seu manual de direito tributário, explicita que: a lei não estipula um prazo fixo entre a publicação do edital de um concurso e a realização das provas, mas este prazo deve ser razoável e proporcional. Evita-se, desta forma, o direcionamento do concurso visando favorecer a uns poucos que tiveram conhecimento dos assuntos do concurso com antecedência e dispuseram de mais tempo para estudar (o que atentaria ao principio da moralidade e impessoalidade).

Alguns autores entendem que o prazo mínimo deveria ser de 60 dias (basta pesquisar na internet).

Chama a atenção que no ultimo concurso realizado para fiscal de tributos dessa cidade, chegaram aos meios de comunicações denúncias de vazamento de prova (não comprovadas).

No entanto, fico me questionando em que local serão impressas estas provas. Nos grandes concursos há um monitoramento da impressão das provas, inclusive por câmeras de segurança. Será que a Facape vai fazer este monitoramento?

Por tudo isso, dou boa sorte aos que irão realizar o concurso, e deixo este registro para que as autoridades competentes revejam os prazos e monitorem as impressões das provas, sob pena de mais uma vez a sociedade colocar em cheque a legitimidade do processo seletivo.

 Obrigado,

Augusto Pinheiro

publicado em 24 de Julho / 2011 às 23:00

“ESTE BODE ESTÁ INDECENTE!”

Não, não é a maldade que você imaginou caro leitor, ofendendo com a sua maledicência o conceito do senhor bode! De repente vem a idéia de que esse bode começou a falar e está a espalhar palavrões e imoralidades aos quatro cantos, já demonstrando que aprendeu os maus costumes dos humanos, ou que está a exibir as suas partes íntimas de forma desrespeitosa! Não, nenhuma das hipóteses imaginadas se enquadra ou traduz o verdadeiro sentido do título dessa crônica. 

A verdade é que no nosso dia a dia convivemos com expressões populares e corriqueiras, que encontram definições de matizes os mais diferentes possíveis. Às vezes são frases que denotam intenções maldosas ou debochadas e outras tantas apenas jocosas com tonalidades que ressaltam a subcultura urbana do duplo sentido ou dos trocadilhos. 

Voltando ao nosso querido bode de Uauá, de tantas e tão honrosas tradições, tão famoso em pé quanto assado no prato, a frase do título acima representa a expressão maior da alegria, do prazer da degustação, do desabafo da fome saciada com felicidade, do extremo limite da satisfação: “Este bode está indecente!”... Pela etimologia da palavra indecente, esse bode seria um ser obsceno e indecoroso, mas não é esse o verdadeiro sentido que passa aos demais integrantes da mesa onde o fato ocorreu, a expressão pronunciada num dos restaurantes de Uauá, pelo capixaba Lisarb – Brasil, para os íntimos - que o degustava com grande satisfação. O indecente nessa frase ganhou uma conotação de gostoso, delicioso, espetacular, fantástico, e era assim que realmente esse bode estava. De súbito, todos que estavam à mesa entenderam que a sua expressão refletia o sentimento de todos naquele momento e a concordância foi unânime. Logo, como bom observador, comentei com ele: Essa frase dá crônica! 

Tudo quanto dele se fala, dando marca à cidade como a “Capital do Bode”, bem que já merece um tratamento melhor e mais respeitoso por parte de todos, principalmente das autoridades administrativas, entidades e técnicos em agropecuária, a quem cabe formular políticas produtivas que protejam essa grande riqueza do município. 

Como a palavra indecente ganhou uma nova conotação, um novo sentido etimológico, pela explosão do prazer degustativo do capixaba Lisarb, fica a sugestão ao Prefeito Municipal para que o símbolo maior da terra, o Bode, esse indecente, tenha um monumento erguido nas duas entradas da cidade, aproveitando a fase de urbanização desses acessos, para júbilo e alegria de todos uauaenses. 

   Agenor Santos - Bacharel em Administração de Empresas - agenor_santos@ig.com.br

publicado em 24 de Julho / 2011 às 15:00

LEITOR QUESTIONA SOBRE OBRA PARADA NO JOÃO PAULO II

Caro Geraldo José,

Parabenizando-o inicialmente pelo brilhante trabalho, peço vênia para utilizar-me deste, que é o mais importante e democrático espaço de manifestação de opiniões do vale do São Francisco, para revelar a toda sociedade juazeirense um fato que, no mínimo, carece de explicação.

A comunidade dos bairros João Paulo II, Antônio Guilhermino, Vila Nova Fé e Parque Residencial, através de uma emenda do então Deputado Estadual Pedro Alcântara, foi contemplada com uma verba de, aproximadamente, R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais), a qual deverá ser aplicada na construção de um ginásio poliesportivo.

Há alguns meses, teve início a sua construção, sendo liberada pelo Governo Estadual, segundo informações, a primeira parcela, no valor de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais).

Ocorre, caro Geraldo, que mal teve início, a obra já parou, e faz mais de 50 (cinqüenta) dias que uma colher de cimento sequer é colocada. Isso é apenas o começo!

O impressionante, o inacreditável, na realidade, é o resultado prático da aplicação do montante da primeira parcela, pois o que se tem, apenas, são dois banheiros (inacabados) e as fundações das arquibancadas (também inacabadas).

Aí fica a pergunta: se para construir os banheiros e as fundações das arquibancadas foi consumido ¼ do valor total obra, quanto, então, será necessário para conclusão do ginásio com todas as suas instalações? É algo a ser explicado. 

Fica, portanto, o questionamento, bem como o pedido ao chefe do Executivo Municipal para que zele pelo patrimônio dos nossos filhos, e aos membros do Legislativo, fiscais do povo, para que acompanhem e dêem atenção especial a esta situação.

Washington Lucas

tomlucaspol@hotmail.com

publicado em 23 de Julho / 2011 às 23:00

A REVIRAVOLTA DA HISTÓRIA

Em 1.516, pouco mais pouco menos, um grupo de aventureiros, escassos anos depois da chegada dos portugueses ao Novo Mundo, subiu o grande rio que os nativos denominavam de Opara. Anos depois, ultrapassando as cachoeiras e as corredeiras, chegaram às calmas águas de Juazeiro, imaginando encontrar ouro e pedras preciosas.

Por 200 anos ou mais, exploraram sal, única  riqueza encontrada, plantaram cana, criaram cavalos e gado. Estabeleceram uma firme rota de comércio com o sul e com o litoral e deram àquela região o nome de Juazeiro, a mais florescente de todas em centenas de léguas sertão em volta.

Juazeiro nascera predestinada a ser a princesa do rio, já com o nome de São Francisco, a influir na política, a ser importante economicamente, a ser símbolo de riqueza, de alegria e ponto de chegada para quem queria, no meio do sertão, viver as alegrias das cidades grandes e cultas.

Por anos, mais de uma centena de anos, foi assim. Mas, tal qual dama que de descuida de sua formosura e deixa acontecer o tempo sem que se cuide, Juazeiro foi perdendo formas, vigor, deixando estranhos tomarem conta e sem retribuir amor, acabou como tantas, perdida, sem emprego, sem futuro, sem perspectivas.

Rodou a roda da história e os donos, os herdeiros e os filhos de Juazeiro não se aperceberam e agora, sem forças, reclamam de tudo o que acabou e que não volta ou que está do lado do lá do rio.

Onde buscar novos caminhos e mesmo se há novos caminhos; onde encontrar perspectivas e ou facilidades, se todas as luzes apontam para as novas cidades, os novos negócios e mesmo o novo investimento exige de nossa gente sacrifício e não compensa o que devolve em desenvolvimento e lucro. 

A Roda da História rodou e com ela os sonhos e as esperanças de toda a gente que se considerava herdeira permanente do progresso do passado.

Adeus Juazeiro.

Manoel Leão

publicado em 23 de Julho / 2011 às 22:00

BISPO LEVA MENSAGEM PAPAL AO PREFEITO DE BONFIM PAULO MACHADO

Cumprindo tarefas eclesiais, o Bispo Auxiliar do Ordinariado Militar, em Brasília, Dom José Francisco Falcão de Barros, esteve em Senhor do Bonfim com a missão especial de entregar comunicado da Santa-Sé ao prefeito Paulo Batista Machado e prestar consultoria em Direito Canônico à Diocese de Senhor do Bonfim, pastoreada pelo bispo Dom Francisco Canindé Palhano.

Em sua primeira missão, Dom Falcão foi textual: “Vim trazer o comunicado da Santa-Sé ao prefeito Paulo da concessão da graça do rescrito da dispensa da obrigação de celibato e a demissão do seu estado clerical”. Ou seja, na prática, o prefeito obteve o direito de receber o sacramento, a comunhão plena na Igreja Católica, incluindo a possibilidade de poder contrair matrimônio religioso. 

A conquista dessa condição raramente é conseguida por ex-padres e depende da Comissão do Clero (composta de 12 cardeais). O processo leva anos até receber o parecer final, nem sempre agradável ao postulante. No caso do ex-padre Paulo Machado, ele considera muito honroso que um bispo do Ordinariado de Brasília tenha sido designado para lhe entregar a decisão papal. 

“O processo foi muito bem construído e agradeço não só ao Dom Falcão, a quem acolhemos, mas sobretudo ao Bispo Dom Francisco Canindé que, em Roma, ano passado, abordou pessoalmente a Comissão do Clero. O seu referendo e suas gestões resultaram neste comunicado que há tantos anos aguardei e agora me dá essa imensa alegria”, agradeceu Paulo Machado.

Ascom Bonfim
publicado em 21 de Julho / 2011 às 23:20

UMA VEZ FLAMENGO...

EU PENSO ASSIM...

Herbet Mouze

UMA VEZ FLAMENGO...

Quando o FLAMENGO foi jogar em Salvador com o Bahia, pelo campeonato brasileiro deste ano e empatou em 3X3, esse jogo foi em 29 de maio deste ano, um grupo de amantes do “MENGÃO” e componentes da EMBAIXADA FLA-JUAZEIRO, liderados pelo seu presidente Luiz Hélio, lotaram um ônibus e foram ver o jogo.

Na manhã ensolarada daquele domingo, esse pessoal, também da “URUBUZADA”, se reuniu numa churrascaria, ao lado do shopping Salvador, com a presença do Mauro, diretor do museu histórico do Flamengo, que trouxe para Salvador os troféus conquistados pelo “mais querido” em 2011.

Foram mostradas, a TAÇA GUANABARA, TAÇA RIO e de CAMPEÃO CARIOCA invicto (foto). Foi um momento histórico para os rubro-negros presentes que promoveram centenas de flashes em suas câmeras fotográficas, inclusive com o campeão mundial, o baiano BEBETO, que gravou comigo, uma mensagem/saudação ao povo de Juazeiro.

Dalí, daquele ponto turístico da capital, de ônibus especial, fomos todos ao estádio de Pituaçu assistir o nosso glorioso time jogar contra o Bahia. O “mengo” vencia por 3X2, e no finalzinho da partida o Esquadrão de Aço empatou. Uma pena.

Foi na verdade, um dia muito bonito e histórico para aquele grupo que com muita vibração e alegria assistiu ao vivo o seu time jogar. UMA VEZ FLAMENGO...

EU PENSO ASSIM, E VOCÊ?

Herbet Mouze – Radialista – Publicitário – Flamenguista – Membro Efetivo da ABI/BA

publicado em 21 de Julho / 2011 às 18:00

ESPAÇO DO LEITOR: MORADOR DO SANTO ANTONIO RECLAMA DA FALTA DE COLETA DE LIXO

Morador o bairro Santo Antonio e leitor do blog, Sidney Souza enviou email com foto reclamando da falta da coleta de lixo na comunidade. Confira:

Geraldo José,

Infelizmente é impossível acreditar, mais essa foto foi tirada no bairro Santo Antônio, nas proximidades da empresa que faz a coleta de lixo da cidade. Além do mais desde segunda-feira (18), os moradores ligam para a Prefeitura, e nada é feito, pedimos uma providência urgente.

Sidney Souza

publicado em 21 de Julho / 2011 às 17:30

AS EMERGÊNCIAS PRECISAM DE SOCORRO

Venho através deste conceituado meio de comunicação externar minha preocupação e insatisfação referente ao planejamento de atendimento às emergências que ocorrem nos hospitais da região durante os finais de semana.

Em pleno sábado, por volta das 10 horas, saí de Juazeiro para Petrolina sentindo bastantes dores na barriga, ânsia de vômito e solicitei ao amigo que me socorria que me levasse para o Hospital Memorial, sendo que para minha surpresa fui informado que não havia médico de plantão e que não poderiam me atender. De início não me dei conta do que estava acontecendo, corri sentindo bastante dores para o Hospital Neurocárdio que fica ao lado. Mais uma surpresa: não queria me atender devido já estar com sobrecarga devido ter apenas uma médica para suprir as emergências. Justifiquei minha situação e a atendente, vendo meu estado de sofrimento, solicitou que fosse preenchida a ficha e que me sentasse na recepção para aguardar. Começou meu sofrimento.

Após 45 minutos sentindo dores, várias pessoas sendo atendidas, ouvi chamar meu nome. Achei que tinha meus problemas tinham acabado. Logo que entrei uma médica com cara de mal humorada que estava atendendo diversas pessoas enviou uma técnica de enfermagem e começo meu sofrimento. Fiquei mais 10 ou 15 minutos aguardando ser medicado até que não suportei mais e comecei a vomitar o que não tinha, minha pressão estava 16 por 12 e mais de uma hora para ser atendido. Felizmente foi aplicado o medicamento e a coisa começou a melhorar. Nem bem tinha resolvido totalmente o problema, fui liberado sentindo “ainda” dores. Falei com a médica do meu estado e respondeu que não tinha medicamento mais forte para me dar. Receitou-me um remédio que comprei e fui para casa sentindo dores.

Do sábado até ontem não tive condições de me pronunciar e me sentir refém de uma condição que está bastante comentada no âmbito SUS, porém não se sabe como anda a saúde particular até você ter necessidade de um atendimento durante o fim de semana. Será que o Memorial quer fazer lançamento de plano de saúde não atendendo emergência e nem pediatria no fim de semana???

Meu problema era pedra na vesícula e já estou bem. 

Luís Cláudio Ferreira Cardoso - Sup. de Seg. do Trabalho - Juazeiro / BA

publicado em 20 de Julho / 2011 às 23:20

EU PENSO ASSIM...FESTA EM MANIÇOBA

EU PENSO ASSIM...

Herbet Mouze

FESTA EM MANIÇOBA

No dia do aniversário da cidade, 15, a Liga Desportiva  Juazeirense – LDJ, realizou a final de seus campeonatos amadores, versão 2011. O COLONIAL, time do distrito de MANIÇOBA chegou a essa final nas duas modalidades, já entrando em campo como campeões antecipados e ainda, por cima, venceram seus adversários. Na categoria SUB-17, os interioranos passaram pelo VENEZA por 3X0. Na partida decisão-principal, (amadores), o COLONIAL ganhou também de goleada do BARRO VERMELHO por 5X0, confirmado assim, sua condição de chegar à final como campeões antecipados. PARABÉNS a todos do COLONIAL, TRI-CAMPEÃO JUAZEIRENSE/2011.

Nós conversamos com Josival Barbosa, presidente da Entidade - Mater do esporte amador Juazeirense, a LDJ, e ele avaliou a competição que terminou dia 15/07, “como um dos melhores campeonatos realizados pela Liga Desportiva Juazeirense, pela qualidade      das equipes que participaram do certame, com idade média de 22 anos, que têm condição de jogar em qualquer equipe profissional do Brasil, a exemplo do Juninho, artilheiro do campeonato, o vice-artilheiro, Wallace do Colonial, Diêgo Martins do Barro Vermelho, Josenildo, e outros que poderíamos formar duas equipes profissionais em qualquer parte do país”.

Josival ainda falou sobre a provável mudança no calendário do campeonato do próximo ano: “Esses jogos realizados no primeiro semestre, com esse clima frio, a presença do público não foi muito boa. No próximo ano, vai ser no segundo semestre, inclusive para fugir da concorrência com os nossos dois times profissionais. O público da final foi acima da expectativa.”

O presidente da LDJ fez seus agradecimentos a imprensa, a prefeitura, ao 3º BPM e finalmente aos clubes que realizaram brilhantemente esse campeonato, e finalizou: “A nossa Liga é elogiada pelos desportistas de Casa Nova, Sobradinho e Petrolina que têm muito tempo que não realizam campeonatos amadores. Com muitos esforços de todos, vimos realizando esses campeonatos, com o objetivo de revelar jogadores e formar cidadãos, e estamos imprimindo esse propósito.”

Esperamos que o público, verifique a importância dessa competição amadora, e venha no próximo ano a prestigiar nosso futebol, promovido pelo LDJ.

EU PENSO ASSIM, E VOCÊ?

Herbet Mouze – Radialista – Publicitário – Flamenguista – Membro Efetivo da ABI/BA

publicado em 19 de Julho / 2011 às 12:10

A REALIDADE DE SENTO-SÉ E O CENSO 2010

Geraldo,

Essa foto foi tirada na época do Censo 2010 e essas mulheres estão cortando palma para comer. A foto foi tirada no acampamento Juazeiro, no distrito de Sanharó. Depois vêm os políticos de nossa cidade dizer que o censo está errado e que sento sé não está em situação de miséria. Acho que eles fecham os olhos para não ver isso.  Eles deveriam era acabar com isso, implantando políticas sociais, não dizendo que a pesquisa está errada. "Mas se esse povo sair da miséria eles não ganham mais. é melhor dizer que a pesquisa está errada e continuar alienando o povo".

Atailton Antonio da Silva

PS: A foto foi tirada por Marcelo ex-recenceador. Trabalhamos juntos no Censo.

publicado em 19 de Julho / 2011 às 10:30

ESPAÇO DO LEITOR: FALTA DE CRITÉRIOS

Caro Geraldo José,

É lamentável o que ocorre em nossa cidade, além do total abandono, principalmente nos bairros periféricos, temos também que engolir a falta de seriedade com o dinheiro público.

É vergonhoso o que o poder público esta fazendo, quero deixar claro que não sou contra aplicação de recursos em obras, mas temos que ponderar quanto a utilidade e benefícios de certos empreendimentos. Não dá para entender o governo gastar milhares de reais para duplicar menos de um quilômetro de estrada, trecho este que vai do mercado do produtor até o contorno antes do abatedouro, que fluxo de carro temos em tal trecho que justifique este investimento. Claro que esta via tem que ser recuperada, como está sendo feito com recursos do estado, melhorando o asfalto e fazendo um acostamento decente até Curaçá.

O que me deixa estarrecido é que ao lado desta “grande” duplicação, temos bairros com esgotos correndo a céu aberto provocando doenças e foco de pernilongos e ruas sem estruturas adequadas.

É uma pena que nossos queridos vereadores, inoperantes como sempre, não questionam certas atitudes do executivo, pensam exclusivamente em seus projetos pessoais.

Volto a dizer, não sou contra obras, mas que sejam feitas dentro da necessidade de nossa população, não obras para gringo vê ou para se alto promover, principalmente agora que começam as movimentações políticas para o pleito de 2012.

Outro fato que me entristece é vê os nomes cogitados para ocupar o Paço Municipal, é de dar até náuseas quando deparo com especulações de pessoas que não tem comprometimento nenhum com a população. A maioria com certeza quer garantir uma aposentadoria tranqüila à custa do dinheiro público, e aqui não cabe aquele discurso pobre de que fulano tem dinheiro e não precisa meter a mão no do povo, esta ladainha é antiga.

 Juazeiro precisa é de gente comprometida, que saiba realmente administrar uma cidade complexa como a nossa, chega de mesmice, chega de velhas raposas políticas que nada trouxeram de bom para nossa população. Alguns querem os holofotes, outros as benesses do poder, e a maioria quer cinicamente ficar rico à custa do dinheiro público.

Júlio Almeida

publicado em 18 de Julho / 2011 às 17:30

JUAZEIRO: 133 ANOS E UMA COMEMORAÇÃO MEDÍOCRE

Na noite do dia 14 de julho, véspera do aniversário da cidade de Juazeiro, enquanto o prefeito Isaac Carvalho estava reunido com a elite na festa de lançamento do JUAZEIRO RODEIO MUSIC na área livre de um posto de combustíveis na Avenida Raul Alves, o seu assessor/secretário Paulo César Carvalho se esforçava para animar as poucas pessoas presentes ao evento organizado pela Prefeitura Municipal em comemoração aos 133 anos de emancipação de Juazeiro. 

Ficou feio para a administração municipal realizar um evento com pouquíssima divulgação, quando em outros tempos a população enchia a Orla Fluvial para comemorar o aniversário da cidade, com um palco atravessado num ponto de maior largura daquela artéria, e uma grande multidão comemorava até a madrugada. 

O cenário que se viu essa semana foi um pequeno palco montado na área onde antigamente ficava o “Vaporzinho”, um som de péssima qualidade e alguns músicos se esforçando para se apresentarem para um público que não passava de dez pessoas. Após 22 horas o sanfoneiro Sérgio do Forró iniciou sua apresentação, com seus músicos se apertando por falta de espaço no palco e dois casais de bailarinos tentando, sem sucesso, desenvolver suas coreografias, demonstrando em seus semblantes grande frustração. 

O sanfoneiro suportou aquela situação até meia noite, quando foi realizada a queima de fogos, que durou dez minutos, com fogos de todos os tipos e cores, quando então Sérgio do Forró tocou mais uma música e se despediu de todos e encerrou o evento, que ficou na história como apenas mais uma tentativa do governo da mudança de enganar o povo. 

Nem os funcionários da prefeitura estavam presentes ao evento. Não havia ninguém dos escalões superiores do prefeito Isaac para dar um apoio moral a Paulo César. O mesmo de vez em quando pegava o microfone e, sem sucesso, tentava animar o público e cantou até o primeiro trecho da música de Luiz Gonzaga, que entoa a palavra Juazeiro, mas no meio da música “desconfiou” e entregou o microfone, dizendo que não iria mais atrapalhar. Pobre Paulinho, colocado para encher lingüiça num medíocre evento, que mostrava claramente a decadência do governo que ora se encontra à frente do município. 

Ao observar o palco, passou perto de mim, pelo asfalto da avenida, um senhor e um rapaz e um dos mesmos fez o seguinte comentário: “Que palhaçada! Era melhor não ter feito nada. 

E para não ser injusto, quero registrar que estava sentado no espaço de um bar particular da orla, o senhor Gaminha, porém, sem levantar em momento algum para se comunicar com Paulo César. Também estava presente, Hélio, assessor do Prefeito, no meio do público, porém sem somar muito com o evento. 

Palco grande e estrutura de som tinha na “Virada Cultural”, na orla nova.   

WAGNER SILAS - ENGENHEIRO, PROFESSOR E JORNALISTA - JUAZEIRO-BA

Foto Ascom PMJ
publicado em 18 de Julho / 2011 às 10:30

MEU CARO FERNANDO VELOSO!

Não logro em evocar o diapasão das Catilinárias, deixando patentes pormenores de vinditas em razão do automatismo, fruto de subordinação empregatícia, oficial. Longe de meu cérebro estão as célebres Verrinas de recheios de ódio do filósofo, político retórico e, sobretudo, orador Marco Túlio Cícero, as quais foram lançadas contra Lúcio Sérgio Catilina.

Observo meu prezado Veloso, que seus impropérios são expressões de força emanada do ofício, faltando-lhe, portanto, o elemento subjetivo do tipo. Sei perfeitamente quanto o poder capitalista selvagem é detentor de um império macabro e bestial que obriga aos esbirros, sob a coação moral ou física, cometerem assacadilhas, imputações aleivosas, aleatórias, mesmo sabendo da inquietação da consciência pelo ato cometido.

Caríssimo Jornalista Veloso! Sou um munícipe radicado há 41 anos nesta querida cidade de Juazeiro, onde constituí família e patrimônio. Honra-me, ademais, pertencer à briosa Polícia Militar da Bahia, à qual me alistei como Cadete, aos 18 anos de idade, prestando exame vestibular. Alcançando posteriormente, graças a Deus, o Oficialato. A reserva de que desfruto é um direito constitucional. Tenho um salário que faço jus, um direito adquirido por meus próprios esforços, o bastante para sobreviver: “Quem come mais do que ganha, sempre come o pão de alguém”.

Detesto injustiça a quem estende a mão em súplica. Felizmente tenho visão de Raios-X, pois não sou cego, míope ou estrábico. A verdade é que sou juazeirense de coração (razões não me faltam) e minha retina não sofre os distúrbios de imagem invertida, e “bate” no desleixo e na incúria administrativa, sem obsessão por não ser estronca do poder municipal. Bato (no bom sentido, é claro) para dizer que Juazeiro não é coisa vã ou perdida, e que merece acima de tudo atenção e respeito. Meu alvedrio não permite citar nome de pessoa física à frente de uma gestoria, mas sim da pessoa jurídica de direito público. Para defender terceiros é preciso que se tenha base concreta, elementos comprobatórios, um conjunto de evidências, porque em muitos casos “a emenda sai pior que o soneto” (frase atribuída ao poeta português, Manoel Maria Barbosa du Bocage).

Não me constrange, em hipótese alguma, quando me contestam aquilo que falo ou escrevo! Aliás, alegra-me o contraditório, pois dele poderão advir a correção e o lume. Em se tratando da coisa pública, melhor ainda porque visamos o bem coletivo, contanto que se conteste com o sumo da verdade real! Uma maldade trevosa, de escuridão absoluta, que cega o espírito tem-se como impotente para se escolher o caminho do bem e da luz!

Creio, nesse caso, que minha culpa, a que fora chamada de obsessão, está no clamar simplesmente contra a praga pública, cuja existência todos conhecem, todos sabem, todos lastimam, todos aterram. Poucos, no entanto, falam e procuram sussurrar, temendo os despiques do poder demolidor. Fato recente ocorreu com o irmão de um advogado militante ferrenho do PCdoB que se rebelou contra a hegemonia municipal, por não concordar com tudo isso que aí está. “As próprias obras é que prejudicam os malvados” (Santo Agostinho).

Geraldo Dias de Andrade é Cel. PM/RR, Bacharel em Direito, Cronista, Escritor, Membro da Academia Juazeirense de Letras e Membro da Associação Bahiana de Imprensa-ABI/Seccional Norte

publicado em 17 de Julho / 2011 às 23:00

O mergulho fatal

Vou diversificar um pouco o tema e retornar ao cotidiano, sempre muito rico em histórias que quebram a rigidez das notícias e fatos diários, principalmente quando os últimos noticiários nos remetem a mensurar qual Ministro que sai é mais corrupto que o outro. Este tema merece retorno em outra ocasião.

Assim, resolvi rebuscar os arquivos da mente e eis que retornou à lembrança o sucedido a um caro amigo e que me fez dar boas risadas. Sabe-se que nos bate-papos das rodas de amigos, principalmente naqueles instantes em que as substâncias energéticas da cevada, do delicioso vinho do Vale do São Francisco ou o destilado do malte escocês começam a fazer o efeito estimulador da imaginação dos mais ecléticos contadores de casos, ouvimos histórias verdadeiras e aquelas fruto da pura criatividade, sempre com ênfase nas narrativas com forte dose de humor. Quase sempre o contador dos casos elege alguém como personagem principal do teatro que se desenrola naquele momento, provocando explosão de risos dos integrantes do grupo e motivando ainda mais o consumo etílico.

É nessas ocasiões que nos contam casos absurdos e esdrúxulos, indicando que circunstâncias e situações imprevisíveis pregam verdadeiras peças nas pessoas, às vezes deixando marcas profundas e difíceis de serem apagadas. Foi assim que durante a Exposição de Caprinos e Ovinos de Uauá, em momento de grande descontração e reencontro de pessoas amigas conhecidas em eventos anteriores, ouvi a narrativa que inspirou o tema desta crônica, contada com muito humor por um jornalista visitante, cujo fato envolve um amigo comum.

Luizão Dagoméia (nome fictício), o personagem, participava de uma agradável farra em determinada Expo-FENAGRO da Capital, degustando um bode assado regado a certo líquido que “desce redondo”, quando o dito sentiu aquela vontade incontrolável de esvaziar a pipa e se dirigiu ao banheiro. Como sempre acontece nessas horas de aperto, o inevitável aconteceu. Banheiro lotado e reduzida capacidade de tolerância para esperar. Como o baiano tem sempre a solução imediata para esse tipo de problema, como nenhum outro povo, acostumado que é à mijadinha pública sem qualquer cerimônia – prática hoje condenada como crime por nova lei do município de Salvador - o Dagoméia circundou as instalações mais próximas, à procura de um pouco de penumbra ou mesmo escuridão total, para assim descarregar as inutilidades que havia ingerido.

Enquanto estava fora, o celular e sua pasta de trabalho foram guardados pelos amigos de farra e somente três horas depois os objetos foram lembrados pelo mijão, que tentou localizá-los através de uma chamada desesperada. Questionado pelos amigos do por que do seu desaparecimento, o fujão passou a contar a sua tragédia.

        - Vocês nem imaginam o que me aconteceu! Como o sanitário estava cheio, circulei em volta à procura de um lugar seguro para o descarrego desejado, foi quando vislumbrei uma réstia de luar entre duas paredes indicando que ali adiante havia uma laje de cimento que brilhava, certamente um porto seguro de apoio para o tão esperado alívio.

        - E o que isso tem a ver com o seu desaparecimento por tão longo tempo?

        - Aí é que está o problema! Comecei a descer o éclair da calça com sofreguidão e, ao invés do alívio esperado, de repente me senti como se afogasse num profundo mergulho em águas poluídas, pura fedentina, em meio a dejetos meio sólidos!... Que tragédia!... Que merda!... Acabara de cair de corpo inteiro numa fossa que estava aberta! Submergi até o último fio de cabelo!

- E aí parceiro, como se saiu dessa?

- Literalmente, tive de aprender a nadar na merda! Ao sair, imundo, caminhei em direção ao carro, deixando os rastros no solo por onde passava. Entrei no meu veículo que ficou inutilizado com tamanha imundície e me dirigi a casa. Sem celular, nada pude comunicar à família e assim a escuridão da noite me trouxe a proteção para chegar até o chuveiro situado nos fundos da casa. Que alívio!

O leitor pode imaginar como foi difícil concluir esta crônica, elaborada sob risos intensos, imaginando a figura do Luizão Dagoméia lutando para se ver livre de tão indesejáveis excrementos.

Agenor Santos - Bacharel em Administração de Empresas – agenor_santos@ig.com.br

publicado em 17 de Julho / 2011 às 17:00

Curaçá e sua Câmara

Com o título "Curaçá e sua Câmara", o jornalista e colunista do jornal Correio da Bahia Emmerson José divulgou a seguinte matéria neste sábado (16) com o seguinte teor: O ex-presidente da Câmara Municipal de Curaçá, no Norte da Bahia, está na mira do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas dos Municípios, segundo vereadores da cidade. Os parlamentares curaçaenses formaram uma comissão, liderada pelo novo presidente, Valberto Matos (PSDB), e acusam o ex-presidente, Reginaldo Monteiro (PTC), de descontar a contribuição previdenciária nos salários dos servidores da Câmara e não repassar os valores recolhidos nos meses de junho a dezembro do ano passado ao INSS.

A acusação levada ao MP é de apropriação indébita. “A cidade é muito pobre e isso não pode ficar assim. O rombo pode chegar a R$ 146 mil”, reclama um dos parlamentares, afirmando que também não houve uma série de pagamentos de outras contas na gestão de Reginaldo, a exemplo de luz, Correios e telefone. Com a palavra, o ex-presidente. (Correio)

publicado em 17 de Julho / 2011 às 15:00

133 ANOS DE JUAZEIRO

O meu nome é Lucien Paulo, sou de uma cidade, às margens direita do rio São Francisco, no interior da Bahia, chamada Juazeiro. Eu já estava cansado de ouvir falar que a melhor coisa de minha cidade era a vista de outra com seus prédios altos. Não suportava mais ouvir nos veículos de comunicação o quanto a vizinha pernambucana era perfeita, suas avenidas largas, seu shopping majestoso, seus políticos dedicados.

Cansei de ouvir: O River é o shopping, o Águas Center é o Junior. Olhava para o rosto do povo do outro lado e via neles tanto ou mais progresso do que na face de nós juazeirenses. Centro de Convenções, suntuosos viadutos, biblioteca futurística, belíssima orla, avenidas lindas, enormes projetos de irrigação, aeroporto internacional, universidade de medicina, além de outras, e para completar um são joão monumental.

Juazeirense visceral, resolvi passar uns dias nessa quase metrópole para ver de perto essa desigualdade que tanto nos incomoda. Pensei até em me mudar para o torrão pernambucano. Peguei a barquinha e fiz a minha travessia quase turística, desembarquei na casa de um amigo, na Avenida Souza Filho. Era uma segunda-feira e passei o dia caminhando pelas ruas cheias de gente que eu não conhecia, me senti um anônimo veneziano.

 Durante a semana visitei a maioria das suntuosas obras que tanto enaltece a grande cidade, percebi que a noite era uma tortura, depois das 22 horas, era um deserto. Onde estaria o povo que faz dessa cidade uma das mais populosas do Pernambuco?

Na sexta-feira cheguei à orla quase as cinco da tarde e percebi que o por do sol era diferente, olhei para Juazeiro e o meu coração ficou aos pulos, não conseguia entender que angústia me tomava e comecei a enxergar uma Juazeiro que poucas pessoas conhecem, mas que involuntariamente mora na minha alma senti arrepios.

Como vou viver sem meus amigos? Sem as pessoas que me cumprimentam? Sem as lembranças de Gustavinho e as tiradas de João Doido? Sem o acarajé de Neidinha, sem os freqüentadores de plantão do Bar de Manelão, sem a efervescência da orla, sem os acordes de Xibiu e seu 5.0. Como viver sem a alegria do Armazém Café, e o por do sol no Buraco de Calú? Como viver sem as brigas políticas e o Hino de Nossa Senhora das Grotas? Sem a Ilha do Rodeadoro e as peripécias de Seu Né e Zé Nilton? Como iria viver sem os comentários maliciosos de desafetos no Blog do Geraldo José? Sem as matérias do Jornal de Paganini, do Ação Popular e da Folha do São Francisco? Não poderia viver sem o povo mais bonito e mais alegre do País? Em Juazeiro as ruas são feitas de gente e não de concreto, em Juazeiro a terra produziu filhos em outros lugares, em três décadas a minha terra mandou três grandes desportistas para o mundo (Luiz Pereira, Nunes e Daniel Alves), e aqui continuam brilhando em todas as constelações as estrelas de Dozinho, Artur Lima, Caboclinho, Feijão, Damião, Baé, Carlitão e o maestro da bola, Bengalinha que deram vida ao nosso estádio AdautoMorais.

Foi saindo de Juazeiro que Ivete deu acordes de magia à música do mundo, e João criou a bossa, como vou viver sem ouvir Mauriçola em parceria com Assunção cantar que É Imperativo Amar, mesmo a Preta Pretinha de Luiz Galvão. Sem O forró de Sérgio, Raimundinho, Tinho, Wanderlei e Flávio Baião.

Onde vou encontrar a inteligência de tantos jovens que derramam saber? Como suportarei a ausência de um carnaval que iguala todos os homens na crítica e na alegria? Ainda sinto o vibrar dos tambores e repiques da Cacumbú, Voz do São Francisco, Piratas Rei do Samba, Pirados do Alto e Imperatriz Juazeirense, nos intervalos desfile dos blocos, Os Inofensivos, Pacíficos da Vila, Tombantes, Turma do Bêco da Porrada e Se Cair Fica.

Revolvo as cinzas e encontro a irreverência de Mato Grosso, Nêgo Dedê, Hilton Bolão e seu Sax, além dos carros alegóricos que faziam de Juazeiro o quinto carnaval do Brasil.

Como viver sem os questionamentos com Negão do Edson, Adalberto Mariano, Geraldo José e Cida, Wilson Duarte (O Brocoió) na orla sob o olhar distante do  Nêgo D’agua, edificado pelo artista juazeirense Lêdo Ivo?

Não é possível, viver sem os acordes de Targino, a poesia de Manuca, o Grupo Juá multicultural, o teatro de Hertz Felix e Devilles! Nem pensar. Não agüentaria deixar de discutir com meus pares a lembrança de Orlando Pontes meu quase pai, Ermi Ferrari, Edilberto Trigueiros, Edson Ribeiro, Jorge Duarte, Zé Custódio, Gilberto Bandeira, Ultanor Biquiba Guarani, Raimundo Medrado Primo, Saul Rosa, Pedro Raimundo, Chico Romão, Agostinho Muniz, Edésio Santos sinônimo de Amor e Canção, José Mauricio (Diadorim) e saber que eles e outros continuam vivos nas nossas discussões.

Esses poetas, escritores, professores e compositores orgulharam e orgulham a história de todos os juazeirenses. Viver sem a lembrança dos festivais da AUJ não é viver. Sem as Carrancas, os congos, o Reis de Boi, O Auto da Liberdade a Paixão de Cristo, Penitentes, o Samba de Veio, os Ternos da Professora Dinorá, as apresentações no Centro de Cultura João Gilberto, a genialidade de Neto e Mundinho e o cantar de João Sereno entre tantas outras manifestações que fizeram e fazem de Juazeiro um manancial inesgotável de crenças e cultura.

Não poderia viver sem estar perto do meu Colégio Rui Barbosa onde tanto aprendi com Eusébio Medrado, Edilson Monteiro, Valni, Professora Perpetinha e Wanda Guerra, Alberto Mariano entre tantos mestres do saber, sem passar quase todos os dias pelas calçadas do Colégio Dr. Edson Ribeiro e também reverenciar o Paulo VI e a sua fanfarra magistral, como viveria sem a presença de Antonilio e Antogildo, principalmente de Bebela filha e mãe da educação e cultura da minha terra?

Viver sem a proteção das Carrancas e a visão do Vaporzinho, não é viver. Então senti que vivo no melhor pedaço do Brasil.

A FLOR QUANDO CAI DO GALHO, MORRE DE SAUDADE DA RAIZ. 

Entendi o porquê da minha angustia e enxugando lágrimas de alegria, entrei na barquinha e voltei para Juazeiro, o grande amor da minha vida. Comemorarei todos os dias o seu aniversário até o último dos meus dias.

Lucien Paulo

publicado em 16 de Julho / 2011 às 23:00

ARTIGO: BRASILEIROS ENDIVIDADOS

Mais de 40% das famílias brasileiras declararam não ter condições de quitar as suas contas atrasadas. Estão endividadas e sem confiança. O encarecimento do crédito e a inflação alta provocando aumento dos juros pelo Banco Central estão deixando muitos brasileiros cada vez mais pessimistas com relação ao atual cenário sócio econômico do país e à capacidade de pagar suas dívidas.

As taxas de inadimplências registraram alta pelo quinto mês consecutivo, ultrapassando o mesmo período de 2010, em quase 10%. Segundo o SPC/Brasil, a inadimplência em 2011 já acumula alta de quase 4%, fatos que inibem a economia de curto prazo, refletida principalmente nas compras de itens de supermercado. A insegurança com relação ao emprego também colabora com a mudança de humor dos domicílios, muita gente perdeu o emprego depois da posse da Presidente Dilma Rousseff que suspendeu a liberação de recursos para muitas obras importantes, a exemplo da Transposição do Rio São Francisco, da Ferrovia Transnordestina e, ainda, recursos do Orçamento Geral da União, referentes a emendas parlamentares.

Apesar desses sinais negativos, as autoridades do governo animam o comércio com informações de que neste segundo semestre que começou agora, vai ter dinheiro do Tesouro para reiniciar todas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento, bem como dos restos a pagar, até o mês de setembro.

Deputado Federal Gonzaga Patriota (PSB-PE)

publicado em 16 de Julho / 2011 às 21:00

JUAZEIRO CIDADE QUERIDA!



Tú completas 133 anos!
Terra de muitos talentos,
Do por-do-sol mais lindo do mundo,
E da lua enamorando sempre o " velho chico",

Terra do sol, do samba e do futebol,
rodeadouro, ilha do fogo, dos congos e carnaval,
penitentes, Nêgo D'agua, do nosso Rio São Francisco,
minha vida, minha terra cultural!

Tantas histórias, 
Tantos amores...
Juazeiro, meu amor por ti é eterno,
Minha amada cidade, meu berço natal,
Como este amor flui a cada dia,
Amo cada viela, cada beco, cada rua, cada esquina,
Adoro o rio de barbas brancas anunciando um novo dia,
Terra de Nossa Senhora das Grotas, 
Que teu povo tanto te exalta,
Abençoa teus filhos amados,
Choro de emoção quando a lua te beija,
Energizando o coração dos poetas,
Que a cada dia se apaixonam por este berço fenomenal.
Minha cidade, minha fada, meu amor, minha sina e meu caixão,
minha terra, meu refúgio, meu canto, meu eterno lar!

JUAZEIRO! TERRA AMADA, LUTAREI POR TEU PROGRESSO.

Valterlino Pimentel (Pinguim) - Assessor Parlamentar

publicado em 15 de Julho / 2011 às 23:20

DE JOAZEIRO A JUAZEIRO

Nesta data tão importante para nossa cidade, quero homenageá-la com este vídeo, contendo fotografias obtidas na internet, bem como algumas de minha autoria com fundo musical de Dilermando Reis – “Abismo de Rosas”.

O vídeo mostra o Juazeiro de ontem e o de hoje. Aqui meu pai nasceu, Euvaldo Almeida, o Protético, bem como todos os seus filhos. Fomos privilegiados por nascermos e permanecermos moradores da beira do Rio, o Velho Chico.

São mais de 100 anos, a família Almeida morando no mesmo lugar. Tivemos como vizinhos, Dona Patú, mãe de João Gilberto, Dr. Humberto Pereira, o médico e Sr. Piroca - Hoje não mais presentes, mas que deixaram suas marcas. Juazeiro tem muita historia para ser contada. É uma terra bela que produziu grandes talentos na poesia, na musica, no teatro e no futebol. É principalmente, a terra das Marias e dos Joãos, daqueles desconhecidos que fazem a cidade crescer e se destacar nacionalmente.

PARABÉNS JUAZEIRO, PELOS SEUS 133 ANOS.

Suely Almeida

publicado em 15 de Julho / 2011 às 19:10

Se eu hoje falasse pessoalmente com Deus

 

Agradeceria pessoalmente pela preciosa cidade que temos, e que amamos!

Em minhas orações falo com Deus e agradeço por tudo, principalmente por Juazeiro e pelo seu povo, sua cultura, crenças, religião, esporte etc.

Juazeiro de cantos e encantos de sonho e realizações!

Há Juazeiro! Do descanso do tropeiro e de tantos que se afagam em seu seio...

Se eu pudesse faria de vós esplêndido canto da sereia e junto da rainha das águas entoava em voz alta para todos ouvirem da minha alma o amor que tenho por ti.

Juazeiro de grandes artistas e grandes políticos que fizeram de vós cidade de respeito e alto conhecimento artístico e desenvolvimento sustentável.

Juazeiro de prefeitos que desenvolveram papel importante em sua historia, que hoje felicitam no céu por seres linda e maravilhosa  como Durval Barbosa, Américo Tanuri, Arnaldo Vieira e tantos outras que festejam sua importante data; Es também dos que ainda anda sobre vos de olhos árduos de encantamentos, como Jorge khoury, Misael Aguilar, Professor Rivas, Joseph Bandeira e Isaac Carvalho que juntos hoje comemoram sua existência e sua vitoria.

Juazeiro da mãe rainha a mãe das grotas que com seus anjos e santos te abençoam todos os dias.

Juazeiro do rio são Francisco que com suas águas lhes dá mais beleza e força para seu povo deste sertão viver.

Juazeiro!  Juazeiro de minha historia e infância do meu passado e do meu futuro poderia aqui falar muito de ti! E comentar fatos e casos que marcaram e marcam sua historia, mas me silêncio em meu coração e com ele falo com Deus que te proteja e cure tuas feridas daqueles  que te fazem mal e que lutam contra ti.

E do meu coração e do coração de todos os seus filhos explodem alegrias de lhes ter sempre em nós.

Tão sublime cidade, te adoramos, te amamos e te desejamos felicidades pala passagem de mais um ano de existência.

Feliz aniversario Juazeiro terra amada.

Carmonilton Leopoldo do Carmo

publicado em 15 de Julho / 2011 às 14:40

ADOLFO VIANA PARABENIZA JUAZEIRO

O Deputado Estadual Adolfo Viana (PSDB) enviou email ao blog parabenizando a cidade de Juazeiro e seus habitantes pelos 133 anos de elevação à categoria de cidade, desenvolvimento econômico e conquistas do seu povo.

Ascom Deputado Estadual Adolfo Viana
publicado em 15 de Julho / 2011 às 14:00

CANTO POR JUAZEIRO. O MEU SONHO É AQUI!

Nasci em Juazeiro – Bahia, no dia 29 de maio de 1981, são trinta anos de histórias!!! Estudei no CSU e no Instituto Imaculada Conceição – lembro como se fosse hoje – da sala que nasceu o tão falado João Gilberto, irmão da minha Diretora “Vivinha” e das aulas de educação física na Praça da Bandeira. Muitas recordações.

Edson Ribeiro, orgulho dos professores e do mestre Antonílio da França Cardoso, ao qual, dedico parte da minha educação. Pude construir belas fábulas, de amizade, de companheirismo, de amores. A gincana com suas equipes verde vida e satisfashion, quem não lembra? Escuto o som do Hino Nacional e do Hino de Juazeiro, todos em fileira na quadra do colégio.

Desde aquela época já ouvíamos falar sobre as “lavadeiras do Angary”, de “João doido”, e do “pé de Juazeiro” onde nasceu a nossa cidade, lá depois do São Geraldo. Realizamos muitas apresentações sobre a história de Juazeiro, suas crenças, religiões, políticas. Conhecemos os penitentes, o carnaval e até a festa do melão. Quanta riqueza nossa terra tem. Ilha do Rodeadouro, Ilha do fogo, cada uma com seu brilho especial.

Quem nunca parou pra ver o por do sol na beira do cais? Eu já namorei muito lá (rsrsrs). Certamente todos construíram suas histórias. Todos com seus destinos, rompidos pelos objetivos de cada um. Belas histórias teremos para contar aos nossos filhos, pois a vida é aqui, com o nosso Rio, levando as belas águas correntes, vendo o por do sol e deixando pra traz o que um dia fez mal. Estejamos certo que somos felizes com a nossa terra, rica em agricultura, rica em gente.

O tempo passa a cada instante e estamos aqui hoje parabenizando a nossa cidade por mais um ano de vida. Recorro a Juazeiro e peço calor humano, paz e harmonia entre as pessoas. Respeito ao próximo, aos mais velhos, aos mais carentes, aos especiais. Peço esperança aos olhos que lacrimejam e com fé acredito que o dia de amanhã sempre será melhor do que o que já passou, pois se estamos vivos, podemos continuar lutando por dias melhores.

Juazeiro precisa de gente que goste de cuidar de gente. De classes sociais, de “gays”, de “mulheres da rua”, “mendigos” e “trombadinhas”. Juazeiro precisa de PAZ! Abracem Juazeiro e vamos agradecer por termos chegado até aqui hoje com nossas belas histórias, certos de que faremos de nossa cidade um mundo melhor para se viver.

PARABÉNS JUAZEIRO!!!!!! TERRA QUE TEM GENTE!!!!!!

Lorena Pesqueira – Pedagoga e Acadêmica do curso de Psicologia (UNIVASF)

publicado em 15 de Julho / 2011 às 11:40

Juazeiro pode muito mais

Bruno Reis*

Existem datas que são referências para comemorações especiais: o nascimento de um filho, o casamento, o aniversário de alguém muito querido ou o dia da formatura, por exemplo.Os 133 anos de emancipação política de Juazeiro, comemorados nesta sexta-feira (15), são uma grande oportunidade para pensarmos e discutirmos a cidade que queremos viver e deixar de legado para os nossos filhos e netos.

            Quem circula pelas ruas e avenidas de Juazeiro, uma das mais importantes cidades da Bahia e do Nordeste, quem frequenta o comércio e os círculos sociais ou apenas caminha para admirar a beleza do rio São Francisco percebe que a autoestima dos juazeirenses precisa melhorar. E muito. E isto somente vai acontecer quando projetos que foram iniciados ou prometidos saírem do papel, quando os governos federal, estadual e municipal realizarem obras de infraestrutura na cidade que acompanhem o seu ritmo de crescimento e desenvolvimento e, principalmente, quando houver mais planejamento.

            É de conhecimento público que muitas obras no Brasil começam e não terminam por corrupção, falta de verbas ou até mesmo porque os projetos simplesmente são ignorados por políticos que chegam ao poder e são adversários dos que ocupavam os mesmos cargos anteriormente. Em Juazeiro não é diferente. Obras importantes, que poderiam impulsionar o desenvolvimento deste belo município, simplesmente estão paradas ou caminham em ritmo muito lento.

            Os exemplos estão à vista de todos. O Projeto Salitre, quando foi lançado, em 1996, parecia a redenção para todos os colonos, uma revolução para a agricultura daquela localidade. Passados 15 anos, praticamente nada saiu do papel. A promessa de entregar 32 mil hectares completamente agriculturáveis para os colonos e empresários simplesmente não aconteceu. Em maio do ano passado, o presidente Lula e a ex-ministra e então candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, estiveram em Juazeiro e anunciaram a conclusão de 5.000 hectares do projeto.

Mas, infelizmente, tudo não passou de mais um estelionato eleitoral, já que aproximadamente apenas 100 hectares, de fato, foram entregues. Técnicos da Codevasf  alegam que os agricultores têm dificuldades para trabalhar com tecnologia avançada, mas a realidade é bem diferente. O que os agricultores sentem falta é de uma assistência mais efetiva, de projetos e programas que lhes proporcionem melhores condições de vida.

            Outro fato que derrubou a autoestima dos juazeirenses e causou enormes prejuízos à cidade e, principalmente, aos comerciantes, foi a demora na conclusão das obras de um dos principais cartões postais da cidade, a ponte sobre o rio São Francisco, que liga o município à cidade de Petrolina, que já se estende por quase uma década. Durante quase dois anos, atravessar os 142 metros do lado baiano da ponte tem sido um verdadeiro martírio. Todos os dias uma parte da pista estava sendo interditada para ampliação, causando irritação nos motoristas e perda de divisas para a cidade. Em meio ao impasse quanto à definição do acesso, o DNIT aproveitou as verbas colocadas no Orçamento da União e realizou obras de infraestrutura no lado pernambucano da Ponte, para desespero da população de Juazeiro.

            Como principal eixo de ligação entre o Norte/Nordeste e o Sul/Sudeste do país, além do crescimento da cidade e o aumento espantoso do número de veículos que circulam pela Ponte, é consenso que este problema somente será resolvido com a construção do anel viário, projeto orçado em R$ 100 milhões, dos quais R$ 26 milhões foram alocados num esforço suprapartidário à disposição da obra, através de emendas de bancadas. Mesmo que este valor tenha sido contingenciado em razão do corte de gastos pelo governo federal, é preciso que os responsáveis pela administração municipal, os vereadores, a sociedade e todos os deputados estaduais e federais da Bahia trabalhem em conjunto para que esta importante obra possa ser realizada.

            Finalmente, ainda dentro das ações de infraestrutura, defendo a conclusão das obras e instalação dos equipamentos do Porto de Juazeiro. Engana-se quem acha que a construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), ainda embrionária, vai “matar” o nosso Porto porque as principais exportações baianas sairiam por Ilhéus. Quem pensa o futuro de uma grande cidade como Juazeiro precisa sempre encontrar alternativas para os seus problemas. E uma das formas para dar viabilidade ao porto é colocar a hidrovia em operação.

Dentro de minha concepção, essa hidrovia, além da utilização que vem tendo, podemos oferecer também outras destinações, como, por exemplo, viabilizar a instalação de um parque agroindustrial no Núcleo Oeste do Distrito do São Francisco para beneficiamento de grãos e frutas ou servir ainda para escoar a produção de veículos fabricados no Sudeste e no Centro-Oeste, transformando Juazeiro numa verdadeira plataforma logística de distribuição destes produtos, já que estamos em localização privilegiada em relação aos grandes centros consumidores do Nordeste.

A localização estratégica de Juazeiro, certamente atrai novos investimentos, desde que as obras de infraestrutura sejam realizadas e os seus administradores pensem a cidade do futuro. Apesar de todos os problemas, Juazeiro é uma cidade encantadora, hospitaleira e linda. Quem teve o privilégio de nascer na cidade ou de conhecê-la sabe o que estou dizendo, sabe da inspiração provocada pelo rio São Francisco ou pelo passeio na orla, sabe da força e da coragem do seu povo, sabe dos encantos de fazer uma travessia em uma balsa e, mais do que nunca, sabe que Juazeiro merece sempre muito mais do que nós podemos oferecer. Parabéns à minha Juazeiro pelos seus 133 anos... 

*Bruno Reis, deputado estadual - Sempre à serviço de Juazeiro

publicado em 15 de Julho / 2011 às 09:40

Juazeiro, Juazeiro

Juazeiro, a gente vê só de pedacinho. Não adianta querer comer tão somente um acarajé ao lado dos antigos correios. Há que beber também toda uma paisagem de ponte, pernas e rios, que sensualmente passam pra lá e pra cá quando é de tardezinha. Juazeiro, a gente nunca ouve de pouquinho. Em qualquer silêncio, sobrevive um grito de esperança. O cais cheira à música antiga e o poeta, às mulheres que tiveram com ele. A vida assim, tecida em prosa, agulha, verso, linhas, retalhos e rendas. Em fios de luz, 133 anos trespassados. Juazeiro, a gente nunca sabe com que roupa. Irreverente e indomável, a cidade não sai da moda; despida de frescura e arrodeios.

Quando ainda menino imberbe, Juazeiro já via longe, muito mais além da copa, muitos mais adiante da “passagem”. Quando ainda menina, pois Juazeiro é menino e menina, homens e mulheres acordaram de um sonho barrento e saíram pelos campos a semear melões, uvas, melancias, cebolas e mangas. Irrigantes telúricos fecundaram o chão a apontaram o caminho de um novo tempo de perseverança e chances para todos.  De promissão, desde Itamotinga até o salitre, feito projeto. Juazeiro, a gente nunca sente todo. Mesmo o artista mais cuidadoso atenta para que as pinceladas últimas sejam invariavelmente as primeiras de um imutável painel sem fim. 

E, pode crer, o quanto  se pinta pela manhã nas ilhas, nem sempre é o que se viu ao amanhecer no Rodeadouro. Porque, ao entardecer, Juazeiro, em sua geometria caprichosa, é puro som e surpresas. Há quem jure ter visto um luar prateado da cor de Ivete no fundo da bacia das lavadeiras do Angari. E não é de hoje esse negócio de visão. Pela esquina e encruzilhadas do Quidé, saltitam, à luz do dia, acordes dissonante de um Edilberto  Triqueiros em Edésio Santos. Ou vice-versa. Nos becos e arruados todos desta terra joãogilbertiana é certo que repousem suavemente, entre os quatros cantos e outros tantos, pontos, virgulas, e as aspas do poeta Pedro Raymundo. Aquele do pássaro que criou raízes. Gal-vão, Be-be-la, Mau-ri-ço-la, Co-e-lhão, Ma-nu-ca, Lu-ci-en, Si-be-le, Tar-gi-no. Juazeiro, a gente nunca pronuncia de uma vez só. É um canto, espaço e lugar que traz em si todos os nomes, tempos, temperos e emoções.

E quando é Carnaval então, Juazeiro também dança num mágico jogo de fantasia e alegria pós-tudo. Na quaresma, penitência ao repicar das matracas, fé e tradição, ao pé do madeiro. Cadeiras na calçada e novena no mês de maio. Miudezas de um tempo onde a rua Sete de Setembro se chamava da Alegria e a Francisco Martins Duarte era tão somente das Flores. Tempero de um povo meio terra, meio água que vive sob a proteção de Nossa Senhora Rainha das Grotas e as bênçãos de São Surubim. Gente que acredita em Nego D’água e em Carrancas que gemem três vezes nas curvas do rio inesperado. Contam as mesmas lendas da Mãe D’água que um certo barqueiro Ermi tinha certeza que havia nascido no dia em que viu o rio. O mesmo afluente interno onde os homens banham-se de dia para de noite, adormecerem sob o manto da mulher amada. Juazeiro, a gente ama por inteiro. 

Carlos Laerte

PS: A crônica Juazeiro, Juazeiro foi publicada originalmente no livro Rio que Passa (2008), e corrigida apenas a data do aniversário para 133 anos. Para quem acha que Carlos Laerte é de Petrolina, um lembrete: Ele nasceu em Juazeiro, na Pró-matre e foi registrado como juazeirense. Seus dois filhos: Lara nasceu em Petrolina e Pedro, em Juazeiro, registrado baiano como o pai. Uma forma de demonstrar o sentimento de amor às duas cidades.

Foto: Priscila V. Borges
publicado em 15 de Julho / 2011 às 07:40

A Cidade (entre outras mil, és tu Juazeiro Bahia Brasil)

* Paulo Carvalho (SPO)

Cidade, palco de muitas coisas,
De muitos causos, de autos,
E atos e palavras atadas,
Vetadas, votadas, devotadas!

A cidade revertida, sentida,
Proibida, pedida e perdida
Em despedida, vindas e idas,
De vidas embebidas!

A cidade carnaval, astral, rural,
Plural, cultural, ambiental,
Legal, conceitual, pessoal,
Magistral, teatral e a tal!

Cidade palco, cidade cor,
De amor, dor, resplendor,
Flor, louvor, fervor, calor
De senhora e senhor!

Ah, cidade de sonho, risonho
De Maria, Pedro, José
João e Antônio, e até do véi Mané
E do roceiro Apolônio!

De palco, palanque, andaime,
Tablado, de latas, madeiras, e pontes;
Cidades dentro de cidade, arames,
Lixos e montes aos montes!

Cidade de povo velho, novo,
De cobranças e esperanças,
Que ajuda e maltrata o ambiente
Não limpa; não ama, e não sente!

Cidade com povo e sem povo,
Que às vezes nem parece gente,
Amontoados no lixo de novo
Clara sem gema fora do ovo!

E isso não parece decente
Pois governo só é governo
Com o povo, com a gente,
Senão vira desgoverno e doente!

E a saúde depende dos dois
É como a mistura de feijão e arroz
A clara e a gema em formação
Num mesmo ovo chamado nação!

A cidade é tudo isso, e mais,
A grande necessidade do homem
A guerra, a paz, o alimento, a fome,
E pro turista somente um cartaz!

A cidade do vento, do tempo,
Do passa-tempo, do pensamento.
Do momento exato, concreto,
Abstrato, tato, contato, reto e ereto!

Ah, cidade, de mulheres belas,
Em aquarelas e janelas, e telas,
Os espelhos, os retratos, sem elas,
Parecem feios, como falsas donzelas!

É minha cidade, gritante, amante,
Cantante e cortante, um diamante.
Infante como um rio imponente,
Presente gigante de gente importante!

Cidade de belas paisagens, viagens,
Passagem de pessoas em trânsito,
Cântico de anjos, falanges e mantos,
Igrejas, pecados, santos e virgens!

Na cidade o homem vence e sofre
Ao mesmo tempo, ao mesmo instante.
É um lutador, um herói constante,
Vida e morte, sua alma é sua sorte!

* jornalista e escritor www.facebook.com/saulooak

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