Filho de Bolsonaro namorou filha de acusado de matar Marielle, diz delegado

O delegado Giniton Lages, titular da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro e um dos responsáveis pelas investigações da execução de Marielle Franco, confirmou ontem terça-feira (12) que a filha do policial militar reformado Ronie Lessa — preso sob acusação de ser um dos autores do homicídio — namorou um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro.

Durante entrevista coletiva, o delegado disse que, apesar de Ronie morar no mesmo condomínio em que o presidente tem uma casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, não há nenhuma relação direta entre o crime e a família Bolsonaro. "Não detectamos isso. Isso, para nós, não está na motivação. Não é importante para este momento", afirmou.

No entanto, ao ser questionado por um jornalista sobre o suposto namoro da filha de Ronie com "um dos filhos mais novos" de Bolsonaro, Lages confirmou, mas enfatizou que, até o momento, ele não tem relação alguma com o crime. "Isso [o namoro] tem. Mas isso, para nós hoje, não importou na motivação delitiva. Isso vai ser enfrentado no momento oportuno. Não é importante para esse momento", acrescentou o delegado, sem dizer, contudo, qual dos filhos do presidente teria namorado a filha do suspeito.

Além de Ronie, que tem uma casa no mesmo condomínio do presidente, a polícia também prendeu  o ex-Policial Militar Elcio Vieira de Queiroz, que foi expulso da corporação. Logo após a prisão, começou a circular nas redes uma foto de Queiroz ao lado de Bolsonaro em 4 de outubro do ano passado, três dias antes do primeiro turno das eleições.

O presidente se manifestou sobre o caso, dizendo esperar que "a apuração tenha chegado, de fato, a estes que foram os executores e saber quem mandou matar". Porém, emendou com um comentário sobre a facada que recebeu em setembro do ano passado, em Juiz de Fora (MG): "Também estou interessado em saber quem mandou me matar". 

Uma operação conjunta do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, prendeu, na madrugada desta terça-feira (12/3), dois suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes no dia 14 de março de 2018. Ronie Lessa, policial militar reformado, e Elcio Vieira de Queiroz, expulso da Polícia Militar, foram denunciados por homicídio qualificado e por tentativa de homicídio de Fernanda Chaves - que também estava no veículo atacado.

Questionado sobre o envolvimento de sua família com ex-policiais — parentes de milicianos foram lotados no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia do Rio —, o parlamentar afirmou que não há qualquer tipo de relação com criminosos.

" Eu não tenho nenhum envolvimento com a milícia. Qual envolvimento vão falar? Foto de Jair Bolsonaro? Ele tira 1 milhão de fotos por ano com todo mundo. Será que se eu tirar uma foto com um policial, eu vou ser responsável por tudo que ele fizer? Igual a questão da medalha. Flávio deu a medalha em 2004. O cara é suspeito de alguma coisa agora e querem associar com o Flávio. Para mim, isso aí é…Tem uma parte da imprensa, nem sempre grande imprensa, mas às vezes a imprensa alternativa que se presta a esse trabalho sujo, muito financiada pelos últimos governos que cai no descrédito ao tentar  fazer esse tipo de relação. É um desespero para tentar dizer que Bolsonaro tem culpa no cartório. Quem era Marielle? Estou falando com todo o respeito. Ninguém conhecia quem era Marielle Franco antes de ela ter sido assassinada. Depois, todo mundo começou a conhecer porque foi dada uma grande notoriedade. Agora, pelo amor de Deus, tentar fazer essa relação é mais do que absurda, é repugnante", disse Eduardo Bolsonaro.

 

Correio Braziliense Foto: Polícia Civl RJ