ARTIGO – CRESCE O “CLÃ DOS BOLSONAROS”!

Como se trata de um problema estritamente familiar, melhor é não se questionar muito os motivos por que somente após um ano no Poder surgiu no cenário nacional a figura do filho número 04 do Presidente Bolsonaro, de nome Jair Renan Valle Bolsonaro. Naturalmente que a imprensa mais conectada com o mundo das fofocas sociais, deve estar fazendo mil ilações sobre esse estranho anonimato, cujo personagem, um jovem estudante de Tecnologia da Informação, com apenas 21 anos, já surge assumindo vaga na comissão provisória de trabalho do “Aliança Pelo Brasil”, ajudando o clã a lutar pela sobrevivência do partido que a família tenta emplacar. Claro que entendo que a falta de evidência do jovem tem os seus motivos particulares e familiares, que não me cabe opinar.

Mas, é impossível não expressar a preocupação do que poderá vir a acontecer, a partir do momento em que o número 04 cair na real e descobrir que, como filho do Presidente, também poderá usar o espaço das redes sociais e passar a dizer o que bem desejar, isso porque, desdizer e se desculpar tem sido uma regra usada pelos seus irmãos! Agem como se estivessem no quintal do papai, e não participando de um Governo da República. E a República que se dane com as consequências!

A propósito do tema, o próprio pai, em decorrência de reações intempestivas e impensadas, tem oferecido farto material para algumas reflexões. Isso porque, não obstante o fato de que no conjunto da obra algumas ações de governo vêm demonstrando relativa evolução e perspectiva de que em breve o país possa superar as graves dificuldades a que foi conduzido, bem como estão saindo as reformas que outros nunca fizeram, ainda perduram o descontrole emocional, e as decisões apressadas que logo são retificadas. É mais que elementar a qualquer dirigente, a percepção de que as decisões devem ser pensadas e repensadas antes de anunciadas. Voltar atrás a todo momento, evidencia incapacidade e insegurança, nunca uma postura equilibrada e altruísta.

Na última semana dois deselegantes e negativos exemplos não puderam passar despercebidos. O presidente anunciou que um Ministro iria representá-lo na posse do novo Presidente da República da Argentina, país vizinho e forte parceiro comercial. Por questão ideológica se recusou a comparecer. À noite do mesmo dia, cancelou a ida do Ministro; ao aproximar a madrugada já mudou a decisão e determinou que o Vice-Presidente Mourão iria à posse. Elementar é que essa já deveria ter sido a primeira decisão: o seu Vice-Presidente representá-lo!

Assim, como em diversos outros episódios antes ocorridos, uma certa insensatez culminou com a infeliz atitude de chamar de “pirralha” a jovem sueca Greta Thumberg, de 16 anos, ativista pelo Clima Mundial. Ainda que o seu movimento não o agrade, mas há de se reconhecer que ela vem sendo aplaudida como figura de importância inquestionável na política ambientalista atual, homenageada pela ONU e principais entidades internacionais. Mesmo que o sentido etimológico da palavra “pirralha” tenha um significado simples, como “criança; pessoa de pequena altura”, está muito claro que a intenção foi pejorativa e descortês.

Aliás, diga-se de passagem, que descortesia é algo com que pai e filhos lidam com muita familiaridade. Basta lembrar que no entrevero com o Presidente da França, sobre a Amazônia, um internauta postou duas fotos em que se achavam os casais Bolsonaro/Michelle e Emmanuel Macron/Brigitte. Ao visualizar as fotos o Bolsonaro diz em claro deboche: “Não humilha, cara! kkkkkk”. De outra parte, no seu Twitter, o filho Eduardo, Deputado Federal, chama o Presidente francês de “idiota”. No mundo das relações globalísticas entre as nações, tamanho desrespeito e imaturidade são inconcebíveis!

A propósito da expressão “pirralha” dirigida à garota sueca, nada melhor para dimensionar a impropriedade do seu uso do que a frase que ouvi de uma doméstica que assistia ao noticiário da TV naquele momento: “Não acredito! O Presidente da República dizer bobagens como essa!”. Não nos cabe demandar o seu direito à liberdade pessoal, mas o cargo tem uma liturgia própria e incorruptível, cuja dignidade, respeito e elegância devem ser preservados!

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil – Salvador-BA.