Blog do Geraldo José - Artigo - O famigerado “a todos e a todas”
Vale do São Francisco - 18 de Setembro de 2019
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publicado em 20 de Agosto / 2012 às 23:00

Artigo - O famigerado “a todos e a todas”

Em texto publicado em 16/09/2010, na Veja, acerca da expressão "a todos e a todas", o colunista Sérgio Rodrigues,  afirma que “trata-se de uma bobagem populista – daí seu sucesso com os políticos, cultores por excelência de bobagens populistas”.

É possível que o "a todos e a todas" tenha a sua origem no "brasileiros e brasileiras" usado por José Sarney na abertura dos seus discursos quando presidente da República. Entretanto, há uma diferença enorme entre uma expressão e outra. Em "brasileiros e brasileiras" não há nenhum problema, até porque se assemelha ao tradicional "senhoras e senhores". Como também não há problema, dentre outras formas de saudação, em “companheiros e companheiras”.

Agora, quando em uma saudação, se diz "a todos", tal cumprimento já se estendeu, conforme a própria acepção do pronome indefinido (todos), a todos os presentes ou ouvintes: homens, mulheres, jovens, crianças, meninos e meninas, etc.

E não dá para justificar, dizendo que é uma questão de gênero, ou linguagem inclusiva. Uma vez que a proposta dos defensores da linguagem inclusiva dentro da concepção de gênero é a utilização dos termos masculino e feminino na construção da linguagem como, por exemplo: "Sala dos professores e das professoras"; "Casa da cidadania", em vez de "Casa do cidadão"; "O ser humano", em vez de "O homem"; "Os alunos e as alunas", etc. Até aqui, é pelo menos compreensível. Porém, “a todos e a todas” é um outro fenômeno, talvez o cruzamento de jacaré com cobra-d’água.

Mas o que me causa maior estranheza é o uso reiterado dessa expressão por professores, de quem se espera uma reflexão sobre o que dizem, afinal, são formadores de opinião. Pois, como disse anteriormente, não dá para dizer que se trata de uma questão de gênero, ou linguagem inclusiva.

Portanto, o "a todos e a todas"  é, para mim, um pleonasmo vicioso. Perdoem-me os que pensam em contrário. Mas eu não consigo usar tal expressão. E mesmo que eu quisesse usá-la, o cérebro travaria e não a deixaria sair.

Alberto Caeiro

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13 comentários
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publicado em 20 de Agosto / 2012 às 23:34
Érica Daiane

Infelizmente muita gente que usa o "a todos e a todas" não sabe o sentido disso, diria que é algo ainda em construção... De fato não dá para dizer que é apenas uma questão de gênero, pois na verdade é apenas um exemplo do quanto temos uma gramática construída e legitimada a partir da lógica masculina. E não se trata apenas da gramática, mas da expressão de uma sociedade marcada pela invisibilização da mulher. Se não é isso, o que justifica, por exemplo, todas as expressões consideradas comuns para os dois gêneros aparecerem sempre no masculino (todos, eles, os, etc)? O "pleonasmo vicioso" é um posicionamento político. Mas se assim caracterizam as lutas feministas, que venham muitos "pleonasmos viciosos" nessa e nas futuras gerações. Que os "pleonasmos viciosos" venham cada vez mais embutidos de ideiais de equidade de gênero e que contribuam com a emanciapação da sociedade no tocante à reflexão sobre o que somos levadas e levados a pensar, a dizer.

publicado em 21 de Agosto / 2012 às 10:00
Marizete Sousa

Para as pessoas que resistem á utilização da linguagem inclusiva existe sempre a desculpa da gramática, no entanto, é bom lembrar que as travas são ideológicas, a língua não é estática, é viva, maleável, portanto pode mudar conforme as necessidades, não podemos mais aceitar regras gramaticais que exclui o sexo feminino e que foram criadas conforme a intencionalidade de quem as criou. A pergunta é : dói? machuca? ofende? o que de deveria ser ofensivo é a hegemonia masculina que existe na linguagem e na sociedade. É hora de aceitar o fato de que nós mulheres não aceitamos mais sermos representadas pelos homens. Estamos ocupando espaços até então considerados masculinos, nada mais justo de sermos reconhecidas nestes espaços. Chega de linguagem sexista, viva a linguagem inclusiva.

publicado em 21 de Agosto / 2012 às 10:22
ana

não da pra negar que ainda falta muito para derrotarmos o machismo que se falseia por traz de argumetnações como a expressada nesta materia a conquista de milhares de mulheres em diversas partes do mundo, com suas diversas culturas em lutas travadas por tanto tempo, nao pode ser confundida apenas como uma questão linguistica nao sou o todo eu sou toda porque sou do sexo feminino qual o sentimento do autor deste artigo se em plenaria fosse comprimentado com TODAS! se ha o travo na garganta para utilizar o geniro feminino é porque ha o trato da cultra machista que não é culpa de um indiviuo mais de uma sociedade e isto so muda quando as mentes forem se conduzindo por uma nova aceitação saudações feministas

publicado em 21 de Agosto / 2012 às 10:23
Álvaro Luiz

Acho boa a discussão proposta por Alberto Caeiro. Melhor ainda é o posicionamento de Érica Daiane. Para completar a mensagem deixada por ela, proponho aos leitores chegar em um local (onde estejam mulheres e homens) e cumprimentá-las (los) usando a forma feminina. A reação das pessoas explicará a necessidade do "todas e todos".

publicado em 21 de Agosto / 2012 às 10:36
ana

MATERIA DEMOSTRA QUE APESAR DE TODA A LUTA DE MILHARES DE MULHERES EM TODA PARTE DO MUNDO COM SUAS DIVERSAS CULTURAS AINDA MUITO HA DE SE FAZER SE A PALAVRA TRAVA É PORQUE EXISTE AINDA MUITO DO MACHISMOS IMPREGUINADO NA FORMAÇÃO DO INDIVIDUO E NAO SE TRATA DE UMA RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL MAIS SOCIAL SÃO MUDANÇAS QUE AINDA VAI DEMORAR MUITO TEMPO POIS NAO SE TRATA APENAS DE UMA FORMA LINGUISTICA EU SOU MULHER E QUERO TENHO O DIREITO DE SER TRATADA COMO TAL COMO SE SENTIRIA O AUTOR, NESTA SOCIEDADE MACHISTA SE EM UMA PLENARIA FOSSE COMPRIMENTADO COMO TODAS! O TRATO É UM POSICIONAMENTO POLITICO SIM E NÃO APENAS UMA FORMIDADE LIGUISTICA UM POSICIONAMENTO POLITICO PORQUE ENFATIZA A PRESENÇA FEMININA SAUDAÇÕES NÃO DE UMA FEMINISTA MAIS DE UMA MULHER COM DIREITOS INCLUSIVE DE SER TRATADA COM RESPEITO AO SEU GENERO

publicado em 21 de Agosto / 2012 às 17:35
Antonio Alves

Senhores e Senhoras - a ordem aqui, das palavras, é despropositada. Essa possível discussão poderia ir muito mais além do que as meras palavras no sentido de relação de poder e/ou equilíbrio... Hoje, o sentido delas - das palavras, num contexto sexista ou não, é mais uma questão transitória de sociedades que se modificam de tempos em tempos, na história da humanidade e que vai alem das idéias. Já tivemos a Sociedade Matriarcal, a Sociedade Patriarcal, ainda em vigor, mas já fadada a uma nova mudança em curso, existente talvez em torno de acima dos cem anos, por não aceitação da "opressão" que se geram nas relações de poder, aqui contestada naturalmente pelo sexo feminino para a mudança, e do sexo masculino pelo desconforto que toda alteração provoca. A próxima Sociedade - em curso, ainda não está definida já que os novos conceitos de família devem ser introduzidos. A filosofia ira, certamente, junto com a sociedade, redefinir o quadro e novas palavras serão mais uma vez "quebradas".

publicado em 21 de Agosto / 2012 às 18:09
MANÉZINHO

NEM TODOS, NEM TODAS, QUE TAL TODO MUNDO!!!

publicado em 26 de Novembro / 2012 às 00:05
Denis

Se a visibilidade feminina depende de uma palavra, é bastante translúcida. Me causa surpresa ver como as pessoas se sentem ultrajadas por tão pouca coisa. Ainda, todas as mulheres que aqui postaram mensagens escreveram uma ou outra palavra de forma errada. São essas pessoas que assim escrevem a exigir justiça na língua? Repare que , para provar que não sou machista ao escrever, usei apenas substantivos femininos (exceto "substantivos", que não tem forma feminina).

publicado em 21 de Setembro / 2017 às 12:43
Elton

Me dói muito ouvir alguém usar esse cumprimento ridículo de "bom dia a todos e a todas" , assim como "presidenta". Meu pai !!! Aproveito aqui para desafiar os iluminados da língua portuguesa para tentar me convencer sobre os famosos "porque, por que, porquê e por quê ". Se fossem engenheiros, seriam muito mais práticos e lógicos !!! Quanta besteira, pra não chamar de burrice !!!

publicado em 23 de Junho / 2018 às 13:30
Clayton

Na verdade todos é pronome indefinido, assim quando falo: boa noite a todos, eu dou boa noite para pessoas, objetos. O correto seria usar pronome de tratamento: senhores e senhoras.

publicado em 20 de Setembro / 2018 às 20:51
Ozeas Alves

Parabns ao seu comentario.. Fico estarrecido quando ouço alguém usar esse linguajar. * todos e todas* acho um absurdo quando professores usando esse vocábulo...

publicado em 12 de Abril / 2019 às 08:27
Benaia Montevechi

Pessoas e "pessoos" (já que é para usar linguagem inclusiva) criticando/a uma/o regra/o gramatical, juntamente a/o um/a posicionamento/a de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro é apenas heterônimo/a) um/a dos/as maiores poetas/os da/o história/o, é uma/o ousadia/o ao/a nível extremo/a. Muita/o idiossincrasia/o!!! Excelente texto/a.

publicado em 15 de Maio / 2019 às 11:28
Carlos Nóbrega

Convém lembrar que há vários termos de gênero gramatical feminino que se aplicam aos dois sexos: a criança, a criatura, a pessoa, a testemunha, a vítima, a presa. Alguém se sentir excluído de "todos" é tão razoável quanto um homem se incomodar por ser chamado de "pessoa". Excelente texto!

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