Blog do Geraldo José - UMA LÁGRIMA POR ENQUANTO...
22 de Novembro de 2017
publicado em 23 de Outubro / 2017 às 23:00

UMA LÁGRIMA POR ENQUANTO...

Na maioria das vezes gosto de convidar nossos diletos leitores a participarem comigo daquilo que costumo compartilhar aqui, semanalmente. Sempre entendi que não há nada melhor do que dividir, pois, quando assim procedemos, a tendência geralmente é voltar multiplicado, aprendi isso desde cedo!

Não é de hoje que venho batendo numa só tecla de uma forma repetitiva eu sei, mas, não consigo resistir ver a situação do Rio São Francisco, que virou um moribundo do mundo e agora, até que enfim, parece que começaram a ver suas condições esquálidas desfalecendo-se...

Digo que começaram a ver, porque tenho percebido o envio das mais variadas matérias para os blogs, e alguns, muitas vezes, se aproveitando da situação para aparecerem, pois, nada de concreto conseguem apresentar, nada a fazer, nada a acontecer... Como sempre, não passam de conversinhas moles, para enganar, como de costume.

Aproveitam-se, apenas, para fazerem cena; nem uma linha sequer são capazes de escrever e enviar para aquele Palácio onde a dinheirama impera e tem corrido solta, para atender do dia para a noite centenas de Emendas Parlamentares, prevalecendo o famoso e antigo toma lá dá cá, como sempre fazendo do nosso dinheiro moeda de troca para se livrarem de processos ou perda de mandatos... Nossa Reação? A mais tímida, impossível!

A ilustração motivo de inspiração para escrever esse texto, tem muito a ver com a situação do nosso Rio, pois daqui a pouco, quem sabe não mais estaremos no Vale do São Francisco, mais sim num Vale de Lágrimas... Sinceramente, espero que possamos continuar sendo chamados como uma Região promissora, e não um lugar do já teve isso, já teve aquilo, ou ainda, do já teve tudo e hoje não tem nada... Tomara que isso não aconteça, não mesmo! Mas, como tenho dito, desenhado está!

Se olharmos para o Alto São Francisco onde as chuvas precisam cair abundantemente, apenas uma vaga perspectiva para o próximo mês, e olhe lá. Se olharmos para o submédio, por aqui nem sinal. Aqui tem sim, festas e festejos abundantes e programações para o Carnaval que ninguém sabe se terá ao menos água para beber, a não ser que seja mineral...!!!

Aqui a gente ver desperdícios postados em várias páginas digitais, assim como nessa manhã de sábado quando, enquanto escrevo, estou lendo sobre algumas irresponsáveis agressões ao Rio, através dos piores dejetos vindos de esgotos. Assim, senhores e senhoras, estamos cometendo um suicídio lento e não é por falta de aviso, porque o que não tem faltado aqui são boletins sobre a situação desse paciente que está na UTI ofegante em estado terminal...

Um amigo sabendo da minha permanente preocupação pelo triste estado em que se encontra o Rio São Francisco, enviou-me na semana passada algo que vou transcrever abaixo, escrito há mais de 40 (quarenta) anos pelo sábio Carlos Drummond de Andrade que, mesmo residente longe das margens ribeirinhas do Velho Chico, anteviu o quadro hoje constatado:

“Está secando o Velho Chico, está morrendo, está mirrando. Já não quer saber de lanchas-ônibus, nem de Chatas e seus empurradores. Já te estranham meu Chico. Desta vez encolheste demais. O cemitério de barcos encalhados se desdobra na lama que deixaste. Mulheres quebram pedras no pátio ressequido que foi teu leito e esboça teu fantasma.”

Dica de vida: “O fio d’água (ou lágrimas?) escorre entre carcaças.” Observo que o Povo, através de pessoas como o saudoso e ilustre escritor acima mencionado tem feito a sua parte; eles, porém, tem feito a parte deles de forma inversa: Corromper, ser corrompido. Usurpar, formar quadrilhas, cometer peculatos e, sem vergonha alguma, negar até mesmo suas próprias digitais... Isso é o quê?

Acord@dinho – Apaixonado por Juazeiro e leitor assíduo do blog.

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4 comentários
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publicado em 23 de Outubro / 2017 às 23:02
AGENOR SANTOS

Essa lágrima da ilustração é a mais pura expressão da dor que ainda está por vir, num futuro não muito distante se, efetivamente, medidas concretas não forem adotadas com a prioridade e a urgência que o caso requer, sem os habituais teatros ou melodramas políticos. O seu desabafo reflete um sentimento honesto e sincero de quem convive de perto com uma triste realidade. Meus cumprimentos pela seriedade com que aborda mais uma vez o tema.

publicado em 24 de Outubro / 2017 às 05:47
Renata - Lembrando a Quim

Quim milionario Cunha Acordadinhu Aeciupo Gedeo 51 milhoes TV Globosta bilhões Temer Caju tiraram uma mulher honesta Dilma para piorar tudo?? O rio São Francisco e os Trabalhadores lascados e voce traidor Temer ggolpistas mamando milhões em Brasília??? Vejo tudo no 247brasil e no bom Geraldo Jose .. Lágrimas de crocodilo Quim e Acordadinhu???Amo Lula e amo este blog

publicado em 24 de Outubro / 2017 às 08:56
Júlio César

Infelizmente é uma triste realidade o que está acontecendo com nosso Rio São Francisco, uma morte premeditada, que todos sabíamos que iria acontecer, Para Dom luís Cappio, o rio São Francisco é “a mãe e o pai de todo o povo, de onde tiram o peixe para comer, a água para beber e molhar suas plantações – principalmente em suas ilhas e áreas de vazantes. Mesmo não sendo o maior rio brasileiro em volume d’água, talvez seja o mais importante do País, porque dá condição de vida à população. Sempre dizemos: rio São Francisco vivo, povo vivo; rio São Francisco doente e morto, população doente e morta”

publicado em 26 de Outubro / 2017 às 22:48
Guarabira Queiroz Lima

O cenário é dramático, as lágrimas com certeza aparecem em nossos olhos, para quem, como eu, que nasci no barranco do São Francisco, e que já viu o São Francisco cheio, corrente e transbordando com velocidade nas suas margens. A pastagem não existe mais. O gado, as ovelhas e os bodes morrendo de fome, comendo canudo, uma vegetação venenosa, que se alastrou de forma incontrolável na borda da barragem de Sobradinho, dizimando o rebanho, e empobrecendo o barranqueiro. O peixe estar desaparecendo aos poucos, em consequência da pouca água para desovar e produzir, a chuva a cada ano mais escassa.

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