Blog do Geraldo José - 45 anos sem Pixinguinha, o gênio que deixou dezenas de músicas, como 'Carinhoso'
10 de Dezembro de 2018
publicado em 23 de Fevereiro / 2018 às 20:30

45 anos sem Pixinguinha, o gênio que deixou dezenas de músicas, como 'Carinhoso'

Alfredo da Rocha Vianna Filho, ou Pixinguinha, foi autor de dezenas de valsas, sambas, choros e polcas. Compôs orquestrações para cinema, teatro e circo, além de arranjos para intérpretes famosos, entre os quais Carmen Miranda, Francisco Alves e Mário Reis. Considerado o maior flautista brasileiro de todos os tempos e mestre do chorinho, Pixinguinha desde pequeno dedicou-se à música. 

Aprendeu a tocar cavaquinho com os irmãos e aos 11 anos já dominava o instrumento. Seu pai, um excelente flautista, também foi mais um dos mestres que Pixinguinha teve, e o menino acompanhava as rodas de chorinho dentro de casa.

Pixinguinha nasceu no dia 23 de abril de 1897, no bairro da Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro. Era filho do músico Alfredo da Rocha Viana e pertencia a uma família de 14 filhos. Em 1908, mudou-se com a família para um casarão de oito quartos na Rua Vista Alegre, frequentado por muitos músicos e conhecido como "Pensão Vianna". Ainda na infância, recebeu o apelido de Pizindim ou Pizinguim (menino bom).

Com 14 anos, Pixinguinha tocou no Cine Teatro Rio Branco e começou a trabalhar na Casa Chope Concha, na Lapa. Depois, sempre levado à Lapa pelo irmão China ou por algum músico de confiança de seu pai, o jovem começou a tocar nos mais famosos cabarés do Rio, como O Ponto, ABC, O Castelo, e daí para O Cine Teatro Rio Branco, onde entrou na orquestra com a fama de grande flautista. Por volta de 1908, morando no Catumbi com a família, compôs sua primeira música, o choro "Lata de leite".

Em 1912, Pixinguinha tornou-se diretor de harmonia do rancho "Paladinos japoneses", tomando parte em outro conjunto conhecido por "Trio suburbano", formado por Pedro Sá, no piano, Francisco de Assis, no violino, e por ele, na flauta. Três anos depois, então com 17 anos, Pixinguinha começou a fazer suas próprias orquestrações pela cidade, inclusive no Largo da Carioca, com o grupo Rocha Viana. São desta época composições como “Rosa", "Sofres porque queres" e "Mentirosa".

Um fato marcante aconteceria em 1922, quando Isaac Frankel, gerente do cinema Palais, convidou o grupo para se apresentar no local. Assim nasceu o grupo Os Oito Batutas, formado por Pixinguinha, China (seu irmão Otávio Viana), Donga, Raul e Jacob Palmiére, Nelson Alves, José Alves e Luís Silva. Os músicos levavam as plateias ao delírio, tocando flauta, violão, cavaquinho, bandolim, ganzá, bandola, reco-reco e pandeiro.

A banda viajou para Europa para ficar 30 dias e lá permaneceu por seis meses, tocando somente música brasileira. Voltaram por saudades do Brasil e para não perder as comemorações do Centenário da Independência. Ainda em 1922, os Oito Batutas participaram da primeira transmissão de rádio feita no Brasil.

Cinco anos antes, em 1917, Pixinguinha compôs a melodia de "Carinhoso", que viria a ganhar letra de João de Barro duas décadas depois: "Meu coração/ não sei por que/ bate feliz/ quando te vê ...". 

E foi assim mesmo que aconteceu com o músico. Ao encontrar a cantora paraense Albertina da Rocha no Teatro Rialvo, para onde entrara em 1926, Pixinguinha se apaixonou. O casamento foi em 1927. Os Oito Batutas se dissolveu, e por volta de 1930 surgiu a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. Em 1933, Pixinguinha entrou para os quadros do funcionalismo público. Inicialmente, foi fiscal da Limpeza Urbana e, mais tarde, professor de música do município, lecionando no Colégio Vicente Licínio.

Flautista desde menino, Pixinguinha trocou o instrumento pelo saxofone em 1946 e formou com Benedito Lacerda uma dupla de grande sucesso. São deles os choros: "Sedutor", "Acerta o passo", "Ainda me recordo", "Cheguei, "Ele ou eu", "Ingênuo" (o que Pixinguinha mais gostava), e muitos outros. Entre 1947 e 1952, Pixinguinha fez muito sucesso no programa “O Pessoal da Velha Guarda”, da Rádio Tupi, ao lado do cantor e radialista Almirante. É autor ainda da trilha sonora do filme Sol Sobre a Lama (1962), em parceria com Vinícius de Moraes.

Boêmio, tinha uma mesa na Wiskeria Gouvêa, na Travessa do Ouvidor, na qual seu nome foi gravado em ouro. Em 1996, foi inaugurado no local um monumento mostrando o músico vestido de gravata borboleta, sapato bicolor e chapéu de palha enquanto toca saxofone, criado pelo escultor Otto Dumovich. Em 2016, uma estátua criada pelo cartunista e artista plástico Ique foi inaugurada em Ramos, em frente ao Bar da Portuguesa, que era frequentado pelo artista.

Em maio de 1956, foi homenageado pelo prefeito Negrão de Lima com a inauguração da Rua Pixinguinha, no bairro de Olaria, onde morava. Ainda em 1958, recebeu o Prêmio da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, diploma concedido ao melhor arranjador pelo "Correio da Manhã" e pela Biblioteca Nacional. Recebeu cerca de 40 troféus. Em 1961, Jânio Quadros criou o Conselho Nacional de Cultura e o nomeou conselheiro.

Em 1966, foi um dos primeiros a registrar depoimento para a posteridade no Museu da Imagem e do Som. No ano seguinte, recebeu o Diploma da Ordem do Mérito do Trabalho, conferido pelo Presidente da República e o 5º lugar no II Festival Internacional da Canção, onde concorreu com o choro "Fala baixinho", feito em parceria com Hermínio Bello de Carvalho.

Pixinguinha, um dos maiores músicos brasileiros, o menino bom, que nascera no Catumbi, no Dia de São Jorge, morreu no dia 17 de fevereiro de 1973, um domingo de carnaval, no momento em que a Banda de Ipanema se preparava para sair. A 1ª página do GLOBO do dia seguinte conta que Pixinguinha, aos 75 anos, foi sepultado ao som de "Carinhoso", entoado por cerca de duas mil vozes, enquanto lenços brancos eram acenados e uma chuva de pétalas era derramada sobre o féretro.

Em 1974, o músico foi homenageado pela escola de samba Portela com o enredo "O mundo melhor de Pixinguinha", e o Ministério da Cultura batizou com seu nome um projeto que promovia apresentações de cantores e músicos em todo o Brasil. 

Desde o ano 2000, comemora-se o Dia Nacional do Choro em 23 de abril, aniversário do Pixinguinha, mas anos depois, descobriu-se que o livro do cartório em que foi registrado trazia outra data para o seu nascimento. Não 23 de abril de 1897, como Pixinguinha e o Brasil sabiam, mas 4 de maio.

O arquivo pessoal de Pixinguinha está sob a guarda do Instituto Moreira Salles desde 2000. Agora, inteiramente digitalizados, milhares de partituras manuscritas, além de fotos, recortes de jornal, documentos, correspondências, registros de memória oral, discografia e outros itens estão disponíveis no site pixinguinha.com.br, lançado pelo instituto.

Redação blog
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