Depois do Golpe ou Apenas mais um dia

* Paulo Carvalho

Não foi uma explosão,
Nem um atentado, 
Uma guerrilha...
Morte ou coisa assim,
Não é o mesmo setembro
Da história de outro país,
Nem outra página,
Nem outra bomba, sei lá!
Tem coisa que nem me lembro,
Ah, mas eu falo de outro setembro,
Aquele azul, de sol, primavera?
Não! Aquele do discurso falso,
Do sermão enojado, 
Dos picaretas, golpistas.
Aqueles caras, das velhas caras,
Sim, estão na minha lista!

 

Um setembro triste para o país,
Bem, pelo menos para alguns,
Que ainda acreditam em democracia,
E antes que um doente em comum
Queira argumentar o que não sabe,
Melhor esconder minha identidade,
E o título de eleitor. Título? Eleitor?
Pra que serve mesmo? 
Ando meio esquecido,
E com este Brasil dividido,
E que não acredita em mais nada,
Eleição,votos, tudo é uma piada,
Mas hoje acordei decidido.

 

Setembro negro, não!
Setembro do meu coração!
Assim me lembro,
Assim tento esquecer
Que um dia fui traído (a)
Apenas por ser mulher,
E não apenas por ser mulher,
Mas militante, forte, eu!
E não será qualquer breu,
Que vai apagar nossas estrelas,
Depois de um dia, a noite!
Depois da noite, mais um dia!
E continuam aqui, brilhando,
E continuam aqui, tão belas!

 

E se ainda pensam em poesia,
E que bom que pensam em poesia,
Pois nosso sol não se põe em janela,
Ele acorda mais cedo e busca o horizonte.
Não é um barco a motor, é um barco a vela,
Porque não matamos sonhos,
Nem destruímos esperanças,
Criamos pontes, poesia, criança,
A covardia não nos alcança,
Nossa luta é como uma dança,

E quem ousará parar a nossa música?

1º de Setembro de 2016.