Preservação dos rios urbanos da Bahia é discutida em audiência pública

Representantes do Estado e da sociedade civil estiveram juntos, na manhã desta quinta-feira (08), em uma audiência pública que aconteceu na Assembleia Legislativa da Bahia, para discutir a situação dos rios da Bahia. Promovido pelos mandatos dos deputados estaduais Joseildo Ramos (PT) e Marcelino Galo (PT), o evento teve o objetivo de cobrar do poder público o melhoramento da política de gestão das águas no Estado, questionando o tratamento dado aos rios e riachos que cortam o ambiente urbano, e ações de recuperação, proteção e fiscalização dos mananciais.

Durante a audiência, os efeitos do tamponamento dos rios urbanos da Bahia, ou seja, obra de cobertura do leito com concreto, foi um dos pontos de maior discussão. Para os especialistas, a ação representa a extinção do curso natural de água ao priorizar a urbanização dos ambientes públicos, como é o caso do Rio dos Seixos, que cortava o centro da Av. Centenário, e do Rio das Pedras, o antigo canal do Imbuí, ambos em Salvador. "É um momento importante para enfrentarmos os debates e as polêmicas a respeito dos rios urbanos. No caso específico do rio Jaguaribe, por exemplo, existe um projeto de macrodrenagem que vai evitar enchentes em vários bairros, mas, de fato, um projeto de engenharia dessa dimensão tem incidências e repercussões ambientais. Estamos fazendo um esforço para compatibilizar isso", afirmou o secretário de Meio Ambiente do Estado, Geraldo Reis.

Para o deputado Joseildo Ramos (PT), é necessária a criação de agenda para tratar das questões ambientais, com o estabelecimento de uma política que preserve a condição dos rios e que envolva a sociedade civil, fortalecendo a participação popular por meio de comitês e conselhos, que hoje se encontram enfraquecidos. "Precisamos ter espaço para falar sobre os aspectos graves de se priorizar o progresso às custas de nossos recursos naturais. Como podemos aceitar calados, por exemplo, a implantação de empreendimentos privados com potencial altamente poluidor, como é o caso da construção de um aterro sanitário em uma região de proteção ambiental, em Simões Filho, matando o aquífero de São Sebastião?", questionou.

Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista da Bahia, o deputado Marcelino Galo (PT) lembrou que a Bahia foi apontada no mapeamento florestal da ONG SOS Mata Atlântica e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) como a campeã nacional de desmatamento da vegetação atlântica entre 2015 e 2016. Para o parlamentar, este é um dos efeitos dos atuais modelos de agricultura e agronegócio, exploração de minério, ocupação desordenada e falta de políticas de saneamento, que impactam diretamente na conservação da água e dos rios. "No Congresso, hoje, são 60 iniciativas para se desmontar por completo a legislação ambiental, e a bancada ruralista, que é financiada, está mandando e desmandando. Precisamos compreender o que está se passando", afirmou.

Participaram ainda do evento, representações do Sindae, CREA-BA, Fórum Baiano de Comitês das Bacias Hidrográficas, OSB-BA, CNBB, ASCRA-BA, Gambá, Ministério Público do Estado, CUT, MAB e UFBA.

Ascom